Calor extremo acende alerta no SUS após causar 120 mil mortes no Brasil
Publicada em 17 de junho, 2026.
Atualizada em 24 de agosto, às 08:01.
Sabe aquele dia de calor tão escaldante que parece que até o asfalto está derretendo? Esse mormaço constante faz muito mais do que provocar desconforto.
O corpo humano funciona exatamente como o radiador de um carro subindo a serra: sob calor extremo, o sistema de arrefecimento (mecanismo de regulação da temperatura corporal) falha e o motor ferve. No organismo, essa fervura sobrecarrega os órgãos vitais e gera uma pane que pode ser fatal.
Um estudo inédito revelou que o calor extremo causou aproximadamente 120 mil mortes no Brasil entre os anos de 2000 e 2019.
O levantamento "Saúde e ondas de calor: mortalidade, morbidade e implicações para o SUS no Brasil" foi conduzido por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A análise mapeou o impacto das temperaturas extremas em 5.566 municípios brasileiros.
As descobertas mostram que essas mortes equivalem a 0,6% da mortalidade total do período, excluindo óbitos por acidentes e violência. Os idosos são os mais afetados: pessoas com 65 anos ou mais representam mais de 97 mil dessas mortes, o que equivale a aproximadamente 80% do total registrado.
O calor severo prejudica o coração e os pulmões, gerando processos inflamatórios e desidratação, o que causa hipovolemia (redução do volume total de sangue e líquidos no corpo). Doenças cardiovasculares responderam por cerca de 34 mil mortes causadas pelo calor, enquanto problemas respiratórios somaram 24 mil óbitos.
O estudo mapeou os grupos que correm maior risco com as altas temperaturas:
- Idosos: apresentam redução na capacidade de regular a temperatura e sofrem com desidratação agravada pelo uso de medicamentos de uso contínuo.
- Crianças menores de 10 anos: sofrem com desidratação rápida e gastroenterites (diarreias), agravadas pela deterioração de alimentos e qualidade da água no calor.
- População vulnerável: o risco de morte apresenta um aumento percentual muito mais expressivo entre pessoas com menor escolaridade.
O clima não castiga o território de forma igual. Enquanto o Norte e o Centro-Oeste registram ondas de calor mais frequentes e longas, o Sul e o Sudeste sofrem com picos de temperatura muito mais intensos em relação à média local.
O que muda na prática
Na prática, o calor severo eleva a procura por atendimento médico por pneumonia e insuficiência renal. Para o SUS (Sistema Único de Saúde), o impacto se traduz em leitos ocupados e sobrecarga nas emergências. Em períodos críticos de calor severo, pacientes com problemas cardíacos graves correm o risco de morrer antes mesmo de conseguir hospitalização.
Toda essa situação deixa claro que o aquecimento global já cobra o seu preço na saúde dos brasileiros. Para você, o cenário exige cuidado redobrado com a hidratação constante e atenção especial aos idosos e crianças da família nos dias de sol forte.

