Cãonexão: cães treinados chegam a hospitais do RJ para humanizar o cuidado
Publicada em 19 de junho, 2026.
Atualizada em 16 de julho, às 10:00.
Quem já visitou alguém internado sabe: o hospital cansa, aperta e dá ansiedade. É justamente aí que entra o Cãonexão, projeto da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), com cães treinados fazendo visitas afetivas para trazer conforto emocional e ajudar na experiência de pacientes, acompanhantes e equipes.
Pensa como em um “feriado dentro do expediente”, tipo quando chega uma pausa para respirar num dia pesado. Não é mágica, é presença que muda o clima: a ideia é que a interação com os cães ajude a reduzir estresse e ansiedade e contribua para a recuperação emocional e física, além de estimular socialização e melhorar o humor.
A apresentação aconteceu nesta sexta-feira (19/6), em cerimônia na SES-RJ, quando foram apresentados seis dos oito cães. Danielle Cristo, idealizadora do projeto, tutora do golden retriever Rudá, resumiu a proposta como cuidado que vai além do procedimento clínico: os cães criam conexões e oferecem acolhimento em um momento difícil.
O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, situou a ação dentro de uma linha de medidas de humanização, citando desde mudanças nos ambientes até a ampliação da presença de famílias. Ele também mencionou que a iniciativa pode levar mais acolhimento não só para quem está internado, como para pessoas com transtorno do espectro autista.
O que muda na prática
O projeto começa ainda neste mês de junho, com cães atuando de forma voluntária em visitas afetivas. Já a Terapia Assistida por Animais é direcionada a pacientes com indicação médica ou psicológica e acompanhamento multiprofissional.
A logística prevista inclui visitas quinzenais, com duração de uma hora e meia, inicialmente em setores como pediatria, oncologia e clínica médica. A primeira visita deve ocorrer no Centro Estadual de Diagnóstico para o Transtorno do Espectro Autista (CedTEA), com expansão gradativa para outras unidades.
Para funcionar com segurança, o Cãonexão prevê protocolos de higiene, avaliação dos animais, participação de médico-veterinário e adestrador, além de termos de consentimento e responsabilidade.
Claudia Mello, idealizadora e ex-secretária de Estado de Saúde, apontou que a proposta nasceu da vontade de levar para as unidades um acolhimento semelhante ao que os animais oferecem no cotidiano. A meta é construir apoio com equipes totalmente voluntárias e alcançar, futuramente, também instituições como asilos, escolas, orfanatos e centros de reabilitação.
- Público-alvo: pacientes, familiares e equipes de saúde (visitas afetivas), e pacientes com indicação médica/psicológica (Terapia Assistida por Animais)
- Formato: visitas quinzenais de 1h30 e acompanhamento multiprofissional quando indicado
- Onde começa: CedTEA e setores como pediatria, oncologia e clínica médica
- Segurança: protocolos de higiene, avaliação dos animais e termos de consentimento e responsabilidade
Se a proposta pega, o “e daí pra mim?” fica direto: o ambiente do cuidado pode ganhar um respiro, com menos tensão no dia a dia de quem está ali por saúde e por espera. E, na prática, o RJ vai testar esse caminho com oito cães preparados para visitas afetivas, começando em junho.

