Saúde mental em Cuiabá: o que muda após treinamento em massa de profissionais
Publicada em 24 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Quando o aplicativo do celular começa a travar, a gente logo busca a última atualização para o sistema voltar a rodar de forma suave. Na saúde pública, o raciocínio é parecido para evitar que o serviço entre em colapso.
Mais de 566 participações de profissionais de Cuiabá passaram por um intenso ciclo de treinamento técnico. Entre outubro de 2025 e maio de 2026, a Diretoria de Saúde Mental promoveu 22 dias de capacitações para atualizar as práticas da rede pública de assistência.
Assim como uma atualização de sistema que conecta diferentes funções do aparelho, o treinamento integrou as equipes dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial - unidades de atendimento especializado), da Atenção Primária (os postos de saúde de bairro) e do HMC (Hospital Municipal de Cuiabá). O ponto-chave é garantir que o paciente seja acolhido sem ruídos de comunicação, do início ao fim do tratamento.
A capacitação começou no fim de 2025, focando em temas fundamentais como acolhimento e matriciamento (apoio compartilhado entre diferentes equipes de saúde). Em dezembro, uma formação sobre atendimento em grupo reuniu 83 servidores.
Em janeiro de 2026, as oficinas integradas da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial - rede de serviços de saúde mental) somaram mais 100 participações. O objetivo principal foi alinhar o fluxo de atendimento para o paciente não ficar "sem sinal" ao passar de uma unidade para outra.
Entre fevereiro e maio de 2026, as equipes focaram em áreas críticas:
- Redução de danos: foi o destaque com 130 participações no treinamento.
- Prevenção de suicídio: reuniu 64 profissionais para debater avaliações de risco.
- Atenção hospitalar: levou ao HMC práticas sobre contenção física segura e comunicação com crianças.
A secretária municipal de saúde, Deisi Bocalon, afirma que a prioridade da gestão é oferecer acolhimento digno e técnico em todas as pontas da rede. Para a secretária adjunta de Atenção Especializada, Najla Brito, a formação continuada consolida um modelo de cuidado baseado em evidências.
O que muda na prática
Para quem precisa de ajuda, a rede ganha agilidade e acolhimento especializado. Na prática, a atualização das equipes evita que o paciente em crise sofra com encaminhamentos demorados ou burocráticos. O reforço também é físico: no início de maio, a prefeitura entregou a nova sede do CAPS Adolescer, no bairro Jardim Europa, com capacidade para atender até 50 pacientes por dia e acompanhar 200 crianças e adolescentes de forma contínua.
- Total de participações: cerca de 566 servidores capacitados.
- Temas abordados: do acolhimento básico à gestão de crises graves.
- Novo ponto de suporte: CAPS Adolescer no Jardim Europa.
- Duração do ciclo: atividades realizadas ao longo de 22 dias.
