Violência contra idosos em Sergipe dispara e gera ação urgente na saúde
Publicada em 17 de junho, 2026.
Atualizada em 23 de agosto, às 18:01.

Sabe aquela infiltração silenciosa na parede de casa? No começo, ela aparece como uma mancha pequena e quase imperceptível. Mas, se ninguém consertar o cano por trás do reboco, a umidade avança até comprometer toda a estrutura física.
A violência contra a pessoa idosa funciona de forma parecida. Muitas vezes, os sinais de abuso físico, psicológico ou financeiro ficam escondidos atrás de portas fechadas, passando despercebidos até por quem convive de perto.
Para treinar o olhar de quem atua na linha de frente desse problema, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS), realizou na quarta-feira, 17, a oficina 'Violência Contra a Pessoa Idosa: Identificar para Acolher, Notificar para Melhor Cuidar!'.
A capacitação ocorreu em parceria com a Fundação Estadual de Saúde (Funesa) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS). O foco foi preparar profissionais da rede de proteção e estudantes do último ano de saúde para identificar casos de violência contra idosos (pessoas com 60 anos ou mais).
Os números em Sergipe mostram que o problema precisa ser tratado com urgência. O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ligado ao Ministério da Saúde, registrou cerca de 1.900 episódios de violência contra idosos no estado entre 2014 e 2025.
O salto nos registros é expressivo: em 2014, foram 67 casos notificados; em 2025, o número subiu para 318. Esse crescimento reflete o aumento real das agressões, mas também indica que as equipes de saúde estão mais atentas para identificar e registrar essas ocorrências.
Como muitos agressores são familiares próximos, o papel dos profissionais de saúde é decisivo. A referência técnica do Núcleo de Vigilância de Violências e Acidentes da SES, Ingrid Lima, explica que as equipes conseguem monitorar e criar uma linha de cuidado ao identificar os casos direto nas casas dos pacientes.
Para a estudante de Enfermagem da UFS Jamile dos Santos, o treinamento ajuda a perceber sinais que vão além da violência física, como marcas de negligência e abandono. Maria Vilma Bezerra, de 66 anos, membra do Núcleo de Pesquisa e Ações da Terceira Idade (Nupati), reforça que debater o tema com a sociedade é essencial para quebrar o silêncio diário que cerca o assunto.
O que muda na prática
Na prática, a identificação rápida gera uma notificação oficial que aciona a rede de proteção pública. Os principais canais de denúncia e suporte incluem:
- Disque 100: Canal nacional e gratuito para denunciar violações de direitos humanos.
- Cras e Creas: Centros socioassistenciais que oferecem apoio psicológico e social às vítimas.
- DAGV e Ministério Público: Órgãos de segurança e justiça responsáveis pela responsabilização dos agressores.
- Equipamentos do SUS: Hospitais e postos de saúde que tratam as lesões físicas e iniciam o registro do caso.
O ponto-chave é entender que proteger a terceira idade é um dever coletivo de toda a sociedade. Ficar atento aos sinais de isolamento e maus-tratos em vizinhos ou familiares idosos é o primeiro passo para que esses canais de socorro funcionem e garantam um envelhecimento seguro.
