Remédios do SUS têm novo controle digital para evitar prateleiras vazias
Publicada em 28 de maio, 2026.
Atualizada em 1 de setembro, às 12:01.

Controlar a distribuição de remédios para milhões de brasileiros usando sistemas defasados é como gerenciar o estoque de uma grande padaria anotando tudo em um papel de pão amassado. Na prática, ninguém sabe de forma exata o que entra ou sai até que o cliente dê de cara com a prateleira vazia. O Ministério da Saúde decidiu aposentar essa lógica manual e digitalizar o controle de medicamentos no sistema público.
A mudança ocorreu durante a 5ª Reunião Ordinária da CIT (Comissão Intergestores Tripartite, a instância que reúne gestores federais, estaduais e municipais), em Brasília. O órgão também aprovou a criação do PNAIS Rua (Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua), uma ação inédita para integrar o atendimento médico desse grupo vulnerável à rede geral de saúde.
O novo plano conecta equipes do Consultório na Rua (serviço voltado ao atendimento de saúde de pessoas sem moradia) à rede de atenção psicossocial. O foco do projeto, alinhado ao Plano Nacional Ruas Visíveis, envolve redução de danos, saúde materna e a participação dos próprios cidadãos na criação de políticas públicas.
Na parte digital, o antigo Sistema Hórus dá lugar ao eSUS AF (eSUS Assistência Farmacêutica). O novo software funciona como um aplicativo de controle de estoque em tempo real para combater o desperdício de medicamentos.
O projeto-piloto começa em Sergipe. Logo depois, estados e municípios de todo o país terão o prazo de 180 dias para concluir a migração digital. Para apoiar a transição, o governo federal vai repassar R$ 40 milhões.
A modernização também viabiliza o financiamento de três novos tratamentos na rede pública:
- Medicamento para Crohn e psoríase: Ustequiumabe (90 mg), com uso ampliado na rede pública.
- Tratamento infantil de síndrome nefrótica: Micofenolato de Sódio (180 mg e 360 mg).
- Combate à tuberculose pediátrica: Pirazinamida (150 mg) em versão dispersível.
O que muda na prática
O ponto-chave é que o paciente corre menos risco de encontrar a farmácia do posto sem estoque. Além disso, o tratamento de câncer ganha o monitoramento do AF-Onco (Assistência Farmacêutica em Oncologia) a partir de setembro para controlar drogas de alto custo.
Os hospitais e os gestores públicos agora precisam seguir a Lei nº 15.210/2025, que exige calcular a vida útil dos aparelhos médicos antes de fazer novas compras para evitar o desperdício com tecnologia obsoleta. Para unificar tudo, o CMD (Conjunto Mínimo de Dados) vai integrar as informações de atendimentos públicos e privados diretamente na RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde). Ou seja, o histórico médico do paciente vai acompanhá-lo por toda a rede de saúde.
No fim das contas, a modernização do SUS funciona como aquela informatização há muito esperada no comércio do bairro. Ela organiza as regras internas para garantir que, na ponta do serviço, o atendimento seja rápido e o remédio chegue com segurança para quem mais precisa.
