Parto na banheira: conforto real para a gestante, com segurança
Publicada em 26 de junho, 2026.
Atualizada em 9 de julho, às 12:00.
Dar à luz com menos dor e um ambiente mais acolhedor é o tipo de cuidado que muda o dia a dia de quem está na reta final. Na Maternidade Regional de Camaçari (MRC), o parto na banheira entrou como parte das práticas de parto humanizado da unidade, com foco no protagonismo da mulher, no respeito às escolhas e no bem-estar materno e neonatal.
Na prática, a decisão começa pela avaliação: a modalidade pode ser feita quando há desejo da paciente e ausência de contraindicações clínicas (situações em que o procedimento não é indicado). Com acompanhamento contínuo da equipe multiprofissional, a gestante tem a evolução do trabalho de parto monitorada, assim como as condições maternas e fetais.
A enfermeira obstétrica da MRC, Viviane Almeida, resume a regra de segurança: quando não há contraindicações e tudo evolui de forma segura, a mulher pode permanecer na banheira durante o trabalho de parto e, em alguns casos, realizar o nascimento na própria água, sempre com acompanhamento.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) cita evidências científicas que apontam redução da dor principalmente no primeiro estágio do trabalho de parto. O primeiro estágio é a fase inicial em que o corpo segue a progressão do trabalho de parto até chegar ao momento do nascimento. Com isso, a SBP relaciona a modalidade a menor necessidade de analgesia (medicação para alívio da dor) e maior satisfação das parturientes.
E tem um detalhe que muita gente entende na hora: é como banho morno quando o corpo está tenso. A água aquecida tende a facilitar a movimentação e as mudanças de posição durante o trabalho de parto, ajudando o processo a fluir com mais naturalidade. A diretora de Enfermagem da MRC, Thaís Rosnoski, também aponta que a imersão pode favorecer uma adaptação mais gradual do útero para o meio externo, além de reduzir a sensação de cansaço.
O acolhimento entra no clima do ambiente: com menor incidência de luzes intensas e ruídos, o bebê é recebido em um cenário mais tranquilo.
O que muda na prática
O acesso ao parto na banheira segue protocolos de segurança, com critérios que podem variar entre instituições. Na MRC, a modalidade é indicada para gestantes com gestação de baixo risco, com feto único em posição cefálica (cabeça para baixo), batimentos cardíacos fetais dentro da normalidade, ausência de sangramento anormal e trabalho de parto ativo com evolução adequada.
Para entender o impacto, a história da paciente Luiza de Freitas, mãe do bebê José Luís, mostra o valor da possibilidade. Ela elogiou o atendimento humanizado e disse que, quando chegou, já estava no expulsivo (momento final do parto), então a banheira não ocorreu. Mesmo assim, destacou como essa opção é importante para quem escolhe esse tipo de parto.
- Público-alvo: gestação de baixo risco e critérios clínicos específicos
- Evidência citada: menor dor no primeiro estágio e possível menor necessidade de analgesia
- Como funciona: acompanhamento contínuo da equipe durante o trabalho de parto
- Estrutura: MRC com 107 leitos para obstetrícia, neonatologia e cirurgia
O atendimento na unidade é voltado tanto para gestantes de alto risco quanto para o cuidado integral da mulher e do recém-nascido, com acesso por regulação da Sesab (Secretaria da Saúde do Estado da Bahia) ou por demanda espontânea.

