Demência em idosos: CREASI testa grupo neuropsicológico para fase inicial
Publicada em 26 de junho, 2026.
Atualizada em 9 de julho, às 18:00.
Se cuidar da cognição já é importante, imagine dar esse “treino” para o cérebro enquanto a pessoa também conversa, troca experiências e se sente parte de um grupo. Foi com essa lógica que o Ambulatório de Cognição do CREASI (Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso) realizou um Programa de Estimulação Neuropsicológica em Grupo em junho.
A iniciativa foi voltada a idosos atendidos no ambulatório, com 60 anos ou mais, de baixa escolaridade e diagnosticados com demência em fase inicial. Na prática, o ponto central foi usar atividades para estimular funções cognitivas preservadas (ou seja, aquilo que ainda pode funcionar melhor), reforçar a interação social e apoiar o enfrentamento do declínio cognitivo.
Coordenação
O programa foi coordenado pela médica geriatra Luciana Pinheiro e pela neuropsicóloga Verônica Almeida. Os participantes se reuniram em encontros semanais ao longo de três semanas, com abordagens adaptadas à realidade do grupo.
Para entender o método, pense no dia a dia como um “mapa” que vai ficando mais difícil de ler. As atividades do grupo funcionaram como pequenas marcações nesse mapa: em vez de focar só no que perdeu, elas puxaram caminhos que ainda estão acessíveis para que o participante consiga circular melhor entre o tempo, as lembranças e o cotidiano.
O que foi feito nas três semanas
O primeiro encontro usou a Terapia de Orientação para a Realidade, com apoio de calendários, relógios, jornais e conversas sobre acontecimentos atuais. A ideia foi reforçar a orientação temporal, espacial e pessoal.
Na segunda semana, entrou a Terapia de Reminiscência, incentivando o compartilhamento de histórias de vida, fotografias e objetos com valor afetivo. O foco foi estimular a memória autobiográfica e fortalecer a identidade.
No último encontro, a Terapia de Estimulação Cognitiva trouxe atividades com leitura crítica e interpretação de manchetes, propagandas e situações do cotidiano.
O que muda na prática
A equipe relata que, além da participação no grupo, familiares observaram efeitos percebidos no dia a dia. Segundo Verônica Almeida, os familiares relataram melhora em humor, disposição e socialização, reforçando a proposta de unir estimulação cognitiva e convivência.
Veja os pontos que a matéria sustenta:
- Público-alvo: idosos com demência em fase inicial, 60 anos ou mais
- Formato: encontros semanais por três semanas, no ambulatório
- Atividades: orientação para a realidade, reminiscência e leitura/interpretação do cotidiano
- Efeito percebido: relatos de familiares sobre melhora em humor, disposição e socialização
A experiência dos participantes também aparece no texto. José Antônio Gonsalves, de 77 anos, disse que gostou de conversar, interagir e contar histórias, dizendo que ajudou nas memórias. Júlio César Barros, de 71 anos, chamou os encontros de uma oportunidade de aprendizado e convivência. Já Maria Helena, aos 90 anos, destacou que contar histórias a ajudou a relembrar memórias e que se sentiu bem conversando com outras pessoas.
Ou seja: com atividades que puxam o cotidiano para dentro do encontro, o grupo do CREASI tenta mostrar um caminho em que cuidar da cognição também significa fortalecer vínculos e autonomia. E daí pra mim? Se você cuida, acompanha ou trabalha com idosos, a mensagem é simples: em junho, o ambulatório colocou o cérebro para “conversar” com o mundo junto com a socialização, e isso foi o que fez a diferença no que foi observado.

