Bem-Estar

Febre amarela em primatas: Paraná acelera RT-qPCR e muda a vigilância

O Paraná passou a fazer no Lacen/PR os exames de RT-qPCR para detectar febre amarela em primatas não humanos, reduzindo o prazo de liberação dos resultados de cerca de 15 dias para entre 1 e 5 dias úteis e acelerando a vigilância epidemiológica.

Publicada em 20 de junho, 2026.

Atualizada em 15 de julho, às 12:01.

Febre amarela em primatas: Paraná acelera RT-qPCR e muda a vigilância
Secretaria da SaúdeSES Paraná (SESA)

Se tem macaco encontrado doente ou morto, o tempo de resposta faz diferença para orientar as próximas ações de saúde. No Paraná, essa etapa ficou mais rápida: o Estado passou a fazer no Laboratório Central do Estado (Lacen/PR) os exames de RT-qPCR (técnica de laboratório para detectar o material genético do vírus) para identificar febre amarela em primatas não humanos (PNH).

Com a mudança, o prazo de liberação dos resultados caiu de cerca de 15 dias para um período entre 1 e 5 dias úteis. A rede de vigilância ganha fôlego para agir mais cedo diante da circulação do vírus no território paranaense, e o Lacen/PR é vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

Antes, as amostras coletadas eram encaminhadas para a Fiocruz-PR. Agora, com a descentralização do diagnóstico molecular, o processamento fica na estrutura do próprio Estado. Ou seja: o monitoramento epidemiológico e a comunicação dos resultados aos municípios passam a ser mais ágeis.

Na prática, a lógica é a seguinte: quando um primata é encontrado doente ou morto, as equipes de vigilância ativam um protocolo de investigação. A coleta de amostras biológicas deve ser feita preferencialmente em até 24 horas e o material segue para o Lacen/PR, onde é processado pelo RT-qPCR.

Além disso, parte das análises é feita em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que fica responsável por exames histopatológicos e de imuno-histoquímica (métodos para avaliar alterações nos tecidos e identificar componentes biológicos).

O que muda na prática

Com resultados mais rápidos, o Estado consegue orientar medidas de prevenção com mais antecedência, intensificar ações de vacinação e reforçar o monitoramento em áreas onde há circulação viral.

O diretor técnico da Divisão de Vigilância Laboratorial do Lacen/PR, André Dedecek, destaca que a Fiocruz-PR segue como referência regional: amostras com resultado positivo em PNH são encaminhadas para a Fiocruz, onde ocorre o sequenciamento genético (análise para mapear o material do vírus e acompanhar possíveis mudanças).

Pense nisso como um “semáforo” da vigilância: quando a luz fecha antes, a cidade consegue redirecionar o trânsito sem perder o timing. No caso, é o laudo que chega mais rápido para permitir uma resposta mais imediata nos territórios monitorados.

  • Prazo: de cerca de 15 dias para 1 a 5 dias úteis
  • Tecnologia: RT-qPCR no Lacen/PR para detectar o vírus em PNH
  • Fluxo: resultados positivos seguem para Fiocruz-PR para sequenciamento genético
  • Resposta: mais agilidade para orientar prevenção, vacinação e monitoramento

Para o secretário de Estado da Saúde, César Neves, a implantação amplia a autonomia técnica do Paraná e fortalece a capacidade de resposta das equipes de vigilância. A diretora do Lacen-PR, Célia Fagundes da Cruz, também afirma que o laboratório se consolida como referência, com base em investimentos do Governo do Estado.

A Sesa reforça ainda um ponto importante: primatas não transmitem febre amarela para humanos. A infecção acontece por meio da picada de mosquitos silvestres infectados. A orientação é que a população comunique imediatamente as secretarias municipais de saúde ou órgãos ambientais quando encontrar macacos mortos ou debilitados.

Febre AmarelaImunizaçãoParanáPPP's
Banner

Mais notícias