Política & Gestão

Reabilitação inclusiva: como o São João do CER IV gera renda para pacientes

Além de integrar famílias e profissionais, a iniciativa capacita os usuários na preparação segura de alimentos para garantir faturamento extra durante os festejos.

Publicada em 17 de junho, 2026.

Atualizada em 24 de agosto, às 02:00.

Reabilitação inclusiva: como o São João do CER IV gera renda para pacientes
Saúde

Sabe aquela típica festa de rua brasileira, onde um vizinho traz o bolo, o outro monta as bandeirinhas e, no fim, todo mundo se ajuda? A reabilitação de pessoas com deficiência funciona de forma muito parecida: ninguém se recupera de maneira isolada.

Na prática, o Centro Especializado em Reabilitação José Leonel Ferreira Aquino (CER IV) transformou essa lógica comunitária na quarta edição do seu tradicional São João. O evento integrou pacientes, cuidadores, familiares e profissionais de saúde em uma programação repleta de apresentações culturais, quadrilhas juninas e brincadeiras coletivas.

O ponto-chave é que o evento não ficou apenas na diversão. Os próprios usuários prepararam e venderam as comidas típicas da festa, garantindo uma fonte de renda extra para as suas famílias. Para que tudo ocorresse de forma segura, profissionais de nutrição da unidade realizaram orientações sobre boas práticas de manipulação de alimentos (regras de higiene e cuidados para preparar as refeições com segurança).

O que muda na prática

Para quem lida diariamente com os desafios de uma deficiência, a iniciativa oferece inclusão real e melhora a autoestima. A empreendedora Givalda Bento, que tem deficiência auditiva, explica que criar esses espaços de participação igualitária ajuda a potencializar a vida dos pacientes.

Além disso, as atividades recreativas aceleram o desenvolvimento clínico. Um exemplo prático é o de Raabe, de apenas 2 anos. Sua mãe, Taynara dos Santos, conta que a menina chegou ao serviço com diagnóstico de microcefalia adquirida e hipertonia (rigidez muscular que limita os movimentos corporais). Graças ao trabalho da equipe e às dinâmicas de socialização, a criança evoluiu a ponto de conseguir andar, desenvolver a coordenação motora e avançar na comunicação oral.

Segundo Zak Moreira, gerente do Núcleo de Educação Permanente (NEP) do CER IV, o evento é fruto de uma construção coletiva que fortalece a rede de apoio essencial para o sucesso do tratamento.

  • Objetivo principal: Unir reabilitação física, integração de familiares e geração de renda complementar
  • Capacitação prática: Treinamento de segurança alimentar guiado por nutricionistas da unidade
  • Evolução clínica: Estímulo à coordenação motora, fala e socialização de pacientes infantis e adultos

No fim das contas, a iniciativa prova que reabilitar vai muito além do consultório médico. O verdadeiro sucesso do processo está em devolver ao paciente a autonomia para celebrar, empreender e viver plenamente em sociedade.

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