Vacina BCG: como o Paraná virou referência nacional ao descentralizar doses
Publicada em 18 de junho, 2026.
Atualizada em 22 de agosto, às 10:00.
Imagine organizar uma festa de aniversário e colocar a bandeja de brigadeiros em apenas uma mesa no canto do salão. Muita gente vai embora sem comer simplesmente pela distância do doce. O Paraná percebeu que centralizar a vacinação causava o mesmo efeito: as doses da vacina BCG (imunizante que protege os recém-nascidos) não chegavam a quem mais precisava.
Ao mudar essa estratégia e levar as doses diretamente aos municípios, a regional de saúde de Telêmaco Borba fez a cobertura da BCG saltar de 72,91% para 93,21%. Esse avanço de 27% virou destaque nacional na II Mostra de Experiências Exitosas da Gestão Estadual do SUS para Recuperação das Coberturas Vacinais, promovida pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) entre os dias 16 e 17 de junho de 2026, em Brasília.
O projeto começou em 2023, quando a chefe de gestão da 21ª Regional de Saúde, Angelica Cristina Estrada Heringer, identificou que a aplicação centralizada e o baixo número de consultas de puericultura (acompanhamento médico periódico de bebês) prejudicavam a imunização infantil. Para resolver o gargalo, a gestão local dividiu a distribuição e treinou as equipes diretamente nas cidades. A Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) também forneceu apoio cruzando dados do programa Paraná Saúde Digital.
O Paraná liderou o evento em Brasília com 25 trabalhos selecionados de um total de 109 em todo o país. Minas Gerais ocupou o segundo lugar com 16 projetos, seguido pelo Ceará com 12.
O que muda na prática
Na prática, o modelo paranaense mostra que a melhor estratégia de saúde pública não se resume a comprar vacinas, mas sim a facilitar o acesso ao imunizante. O sucesso dessa descentralização abre caminho para que outros estados repliquem a metodologia, protegendo mais crianças de forma rápida e reduzindo a pressão nos hospitais públicos.
- Resultado principal: Elevação de 27% na cobertura vacinal da BCG na regional paranaense.
- Liderança nacional: Presença de 25 projetos do Paraná no evento nacional do Conass.
- Ações aplicadas: Descentralização das salas de vacina e uso de dados integrados de saúde.
Para quem acompanha o setor de saúde, o caso do Paraná funciona como um roteiro de boas práticas. Ele prova que reestruturar processos internos e aproximar o atendimento do cidadão é o caminho mais curto para atingir as metas de imunização.

