Diabetes gestacional: 15% nas gestantes da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes
Publicada em 26 de junho, 2026.
Atualizada em 12 de julho, às 02:00.
No pré-natal, muita coisa é feita para pegar cedo o que pode virar problema depois. Na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), referência estadual para partos de alto risco, um alerta aparece com frequência: cerca de 15% das pacientes atendidas apresentam diabetes gestacional.
Nesta sexta, 26, é celebrado o Dia Nacional do Diabetes, data de conscientização e prevenção. O ponto é que o diabetes gestacional costuma ser silencioso, com sintomas leves que podem se confundir com a própria gravidez.
O número que acende o sinal na MNSL
De janeiro a maio deste ano, a equipe do setor de Admissão da MNSL atendeu 5.462 gestantes. Destas, 812 tiveram diabetes gestacional, o que representa quase 15% do total. Para a gerente da Admissão, Angélica Aragão, essa condição aparece como o segundo diagnóstico de maior incidência na maternidade, ficando atrás apenas das síndromes hipertensivas.
O que é diabetes gestacional (sem mistério)
A ginecologista e obstetra Glícia Ramos explica que diabetes gestacional é uma alteração no metabolismo da glicose diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez, em mulheres que não tinham diabetes antes de engravidar.
Na prática, a gestação aumenta a demanda por insulina, e o organismo pode não conseguir produzir a quantidade suficiente. Ou seja: os níveis de glicose no sangue sobem.
O que muda na hora é o acompanhamento. Glícia destaca que o pré-natal adequado é a forma de rastrear, diagnosticar e tratar no tempo certo. Ela compara o valor do acompanhamento a um “raio-x” da gravidez: não é para assustar, é para evitar que a doença se esconda.
Roteiro de controle e quando vira remédio
O tratamento começa com mudanças no estilo de vida, com orientação nutricional individualizada e incentivo à atividade física regular. Segundo a médica, a maioria das mulheres consegue atingir as metas glicêmicas só com essas medidas.
Quando dieta e exercícios não bastam, entra o tratamento medicamentoso. A obstetra aponta a insulina como a medicação de primeira escolha por ser segura, eficaz e não atravessar a barreira placentária. Em alguns casos, a metformina pode ser usada, mas a insulina segue como padrão.
O controle glicêmico é acompanhado com medições regulares: em jejum (abaixo de 95 mg/dL) e uma hora após as refeições (abaixo de 140 mg/dL).
Para a atividade física, ela afirma que caminhadas de 30 minutos após as refeições já têm impacto comprovado no controle.
- Alvo do controle: glicose em jejum abaixo de 95 mg/dL e após refeições abaixo de 140 mg/dL
- Primeira linha: alimentação orientada e atividade física regular
- Medicamento quando precisa: insulina (e, em alguns casos, metformina)
- Foco do pré-natal: rastrear e tratar no tempo certo
Sinais de alerta e o “e daí pra mim?”
Como a condição pode ser silenciosa, a orientação é não deixar as consultas e os exames de pré-natal para depois. Glícia cita sinais que exigem avaliação imediata, como sede excessiva, vontade frequente de urinar em grandes volumes, visão turva, cansaço desproporcional, dores de cabeça persistentes, náuseas e vômitos fora do padrão do primeiro trimestre.
No contexto de diabetes gestacional já diagnosticado, episódios de tontura, suor frio, tremores ou confusão mental podem indicar hipoglicemia (queda súbita da glicose) e também pedem atenção urgente.
O fechamento importante: na maioria das vezes, o diabetes gestacional desaparece após o parto. Mesmo assim, o diagnóstico de resolução só é confirmado com exame entre 6 e 12 semanas após o parto, reavaliação que, segundo a médica, é obrigatória e frequentemente esquecida.
Ou seja: se você está no pré-natal, vale tratar os exames como parte do cuidado diário. Porque o risco, na prática, está em não saber. Para a mãe e para o bebê, o benefício é acompanhar de perto e agir cedo.

