Aedes e drones: Minas mapeia 497 mil hectares e acelera o controle
Publicada em 26 de maio, 2026.
Atualizada em 9 de julho, às 10:01.

Na vida real, tem lugar que só aparece quando o olhar sobe: telhado, pátio cheio de entulho e pontos de água parada escondidos. Para lidar com esse “invisível” do mosquito, Minas Gerais colocou drones no monitoramento da política VigiDrones e avançou no segundo ciclo.
A estratégia é da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e usa Veículos Aéreos Não Tripulados (drones) para localizar áreas de risco e apoiar as ações de controle do Aedes aegypti. No estado, foram mapeados cerca de 497 mil hectares de área urbana e identificados mais de 334 mil pontos de interesse. A proporção ajuda a dimensionar: é como cerca de 696 mil campos de futebol.
O trabalho já teve investimento de R$ 30 milhões pelo Governo de Minas para executar a política. Os sobrevoos acontecem conforme os indicadores de cada município, com a operação seguindo o risco apontado.
O subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, aponta a lógica do uso da tecnologia: os drones conseguem identificar focos de água parada em locais de difícil acesso e aplicar larvicida (produto usado para eliminar larvas) para interromper o ciclo que gera o Aedes aegypti. Na prática, as imagens aéreas complementam o alcance das equipes de vigilância.
Se quiser imaginar, pense no “raio-X” que um síndico procura antes de liberar um espaço: primeiro se encontra o que está escondido, depois se resolve a causa. É assim que o monitoramento por drone busca reduzir tempo entre detectar e agir.
O que muda na prática
No Jequitinhonha, o ciclo foi encerrado com cerca de 11 mil hectares urbanos mapeados, mais de 18 mil pontos identificados e 31 municípios aderidos. Segundo a matéria, a região foi a primeira do estado a usar drones no monitoramento.
Os dados do que as equipes conseguiram encaminhar a partir dos levantamentos incluem:
- Eliminação/solução: 5.214 focos foram eliminados ou solucionados
- Tratamento: 1.472 receberam tratamento
- Monitoramento: 3.186 seguem em monitoramento
- Descaracterização: 1.125 foram descaracterizados
A técnica em arboviroses da SRS Diamantina, Kesley Duarte de Jesus, classificou o retorno como positivo e disse que o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Jequitinhonha (Cisaje) demonstrou interesse em renovar a parceria.
Em Conceição do Mato Dentro, Sheily Nislene de Lima, supervisora de campo e agente de combate a endemias, destacou um efeito bem direto: a tecnologia ajuda especialmente quando há imóveis fechados. Com imagens aéreas, a equipe consegue chegar ao morador com informações mais precisas sobre o próprio imóvel, o que facilitou a abordagem e teve boa recepção.
O que dispara a ação: descarte e água guardada
Nos levantamentos do Jequitinhonha, os principais pontos de risco foram ligados ao descarte inadequado e ao armazenamento irregular de água. Lixo, sucatas, plásticos e entulhos somaram 7.496 ocorrências, 40,5% dos pontos identificados.
Também apareceram possíveis criadouros em tonéis, barris e tambores (3.280), recipientes diversos e lajes com água acumulada (3.030), piscinas e fontes (2.017), caixas d’água elevadas (1.579) e pneus (590).
Ou seja: com drones, Minas tenta encurtar o caminho entre “tem água parada” e “o mosquito perde espaço” em áreas que costumam ficar fora da inspeção só no chão. E daí pra mim? Se a sua cidade entra nessa lógica de vigilância mais detalhada, a chance de antecipar o problema tende a ficar maior.
