Diagnóstico de malária e Chagas ganha reforço em 34 municípios do Tocantins
Publicada em 28 de maio, 2026.
Atualizada em 3 de setembro, às 16:00.
Imagine tentar ler uma placa de trânsito com os óculos completamente embaçados. Na saúde pública, uma visão distorcida pode atrasar um tratamento vital. Para evitar que isso aconteça, 34 municípios do Tocantins agora contam com técnicos treinados para identificar com precisão a malária e a doença de Chagas.
O Laboratório Central de Saúde Pública do Tocantins (Lacen/TO), ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO), encerrou nesta semana uma capacitação de 40 horas voltada a profissionais que atuam na ponta do atendimento.
Na prática, analisar amostras de sangue no microscópio exige a mesma precisão de quem ajusta o grau dos óculos. Se houver qualquer "sujeira" na interpretação, o diagnóstico falha. O treinamento funciona justamente como uma limpeza na lente dos laboratórios municipais, padronizando a qualidade das análises no estado.
Durante o curso, os técnicos passaram por atividades teóricas e práticas de manipulação, análise e leitura de lâminas. O aprendizado também envolveu o controle de qualidade dos exames. No final, os participantes receberam certificados emitidos pela Escola Tocantinense do Sistema Único de Saúde (ETSUS).
Segundo a bióloga em saúde Rosany Kely de Oliveira Pereira, o monitoramento contínuo do Lacen/TO aponta quais municípios precisam desse reforço técnico, seja por receberem profissionais novos ou por demandarem ajuste na coloração e leitura das lâminas.
O que muda na prática
Para o morador das cidades do interior, especialmente nas regiões de linhões (áreas sob influência de linhas de transmissão de energia elétrica) da Amazônia Legal, o benefício é a segurança. O paciente recebe um diagnóstico confiável perto de casa, sem a necessidade de deslocamento para os grandes centros.
O farmacêutico bioquímico Emerson Dias Tavares, de Ponte Alta do Tocantins, explica que o aprendizado ajuda a estruturar e consolidar o serviço de diagnóstico na própria cidade, melhorando a assistência direta à população.
- Público-alvo: Profissionais de saúde de 34 municípios tocantinenses.
- Carga horária: 40 horas de atividades teóricas e práticas de microscopia.
- Frequência de treinos: O Lacen/TO realiza os cursos duas vezes por ano para cada agravo (doença endêmica).
- Outros focos: O cronograma também inclui oficinas para leishmaniose tegumentar americana (LTA), hanseníase e tuberculose.
O ponto-chave é que o laboratório estadual atua como um parceiro permanente. Conforme destaca o diretor do Lacen/TO, Fernando Sousa Vaz, os técnicos municipais continuam recebendo suporte por meio do envio constante de lâminas para controle de qualidade. Com as lentes bem limpas no interior, o Tocantins consegue rastrear e tratar doenças graves de forma muito mais ágil.
