Política & Gestão

Doação de sangue do tipo O entra em alerta vermelho nos hospitais paranaenses

Com a queda nos estoques de O+ e O-, o Hemepar reforça a convocação em junho para evitar o adiamento de cirurgias em 380 hospitais.

Publicada em 1 de junho, 2026.

Atualizada em 25 de agosto, às 06:01.

Doação de sangue do tipo O entra em alerta vermelho nos hospitais paranaenses
Secretaria da Saúde

Sabe quando o arroz com feijão começa a acabar na despensa bem no dia em que a família inteira resolve almoçar na sua casa? É esse o aperto que a rede de saúde do Paraná enfrenta hoje com a queda nos estoques de sangue dos tipos O+ e O-.

Para reverter esse cenário, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), por meio do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), iniciou a campanha Junho Vermelho convocando doadores com urgência. A rede estadual abastece mais de 380 hospitais e atende 96,6% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.

Os sangues do tipo O funcionam justamente como o arroz com feijão da despensa médica. O tipo O- é a verdadeira "chave-mestra" dos prontos-socorros: por ser o doador universal, os médicos o utilizam em emergências extremas, quando não há tempo para fazer o teste de compatibilidade (exame que analisa se o sangue do receptor rejeita o do doador). Já o O+ é o tipo mais comum na população, o que gera uma demanda gigante e contínua nos hospitais.

Mesmo com o estoque atual em baixa, os paranaenses mostram solidariedade ano após ano. O volume de bolsas coletadas subiu de 187.128 em 2023 para 203.925 em 2024, alcançando 214.377 em 2025 (alta de quase 15% no período). Em 2026, até o momento, o estado registrou 86.130 coletas, número 3% superior ao mesmo período do ano passado.

O que muda na prática

Sem o estoque regular de sangue, os hospitais correm o risco de adiar cirurgias eletivas (procedimentos agendados sem caráter de urgência imediata) para priorizar transplantes, procedimentos cardíacos e traumas graves. Cada bolsa coletada carrega de 450 ml a 470 ml de sangue que, após o processamento, se divide em hemocomponentes (partes separadas do sangue, como hemácias, plaquetas e plasma). Na prática, uma única doação pode salvar até quatro vidas.

Para manter essa engrenagem funcionando e celebrar o Dia Mundial do Doador de Sangue, em 14 de junho, o estado reforça as regras para quem quer ajudar.

  • Idade permitida: entre 16 e 69 anos completos (menores precisam de autorização e acompanhamento do responsável legal).
  • Peso mínimo: acima de 50 quilos.
  • Frequência masculina: até quatro doações anuais, com intervalo mínimo de dois meses.
  • Frequência feminina: até três doações anuais, com intervalo mínimo de três meses.

O ponto-chave é ir ao posto de coleta bem alimentado, hidratado e descansado, além de evitar alimentos gordurosos nas horas anteriores e levar um documento oficial com foto. Se você tem esse tipo de sangue correndo nas veias, a sua despensa solidária está cheia e os hospitais paranaenses precisam dessa doação agora mesmo.

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