Saúde do coração: Hospital de Messejana ensina pacientes a cozinhar com menos sódio
Publicada em 27 de maio, 2026.
Atualizada em 7 de setembro, às 04:01.

Cuidar do coração é como regular o motor de um carro antigo: exige combustível de qualidade e manutenção constante.
Para ajudar nesse ajuste fino de combustível, pacientes do Programa de Reabilitação Cardíaca do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), em Fortaleza, participaram de oficinas de alimentação cardioprotetora (focada na proteção do sistema cardiovascular) ao longo de maio de 2026.
A iniciativa une o serviço de nutrição da unidade, que integra a rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), aos cursos de Nutrição e Gastronomia da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Durante quatro encontros, os pacientes aprenderam que comer bem não significa abrir mão do sabor da comida caseira. Da mesma forma que um bom motorista escolhe o melhor combustível para evitar engasgos no motor, os participantes aprenderam a selecionar ingredientes que protegem as artérias.
As aulas abordaram desde a leitura de rótulos para identificar sódio e gordura ocultos em produtos industrializados até técnicas de corte de carnes e formas de evitar a fritura. O foco esteve no planejamento alimentar e no incentivo às compras em feiras livres, priorizando alimentos frescos e regionais.
O que muda na prática
O tratamento de doenças cardiovasculares vai muito além de tomar remédios no horário correto. Na prática, a reabilitação funciona de forma multidisciplinar, combinando os exercícios físicos à reeducação alimentar para melhorar a qualidade de vida do paciente.
Segundo a coordenadora do programa e fisioterapeuta, Socorro Quintino, os pacientes que conseguem mudar o estilo de vida apresentam melhora expressiva na capacidade funcional e redução direta de novos riscos cardiovasculares.
Para facilitar a rotina em casa, as oficinas contaram com a degustação de receitas práticas. A nutricionista e professora da UFC, Diana Carvalho, explica que o objetivo foi construir o conhecimento de forma prática, incentivando os pacientes a reproduzirem os pratos saudáveis com suas famílias.
A dinâmica também abriu espaço para a troca de experiências. O paciente Joseph Ananian, de 79 anos, acompanhado há quatro meses pela equipe, compartilhou com o grupo uma receita árabe tradicional de tabule (salada rica em fibras e vitaminas), provando que é possível adaptar pratos culturais para uma rotina saudável.
- Foco do programa: Exercícios supervisionados por fisioterapeutas, apoio nutricional, acompanhamento médico e psicológico.
- Conteúdo das oficinas: Leitura de rótulos, escolha de alimentos frescos, técnicas de cozimento sem fritura e planejamento de refeições.
- Público-alvo: Pacientes com doenças cardiovasculares e pós-transplante de coração.
No fim das contas, a lição que fica é simples: proteger o coração não exige ingredientes exóticos ou dietas impossíveis, mas sim pequenos ajustes na forma como escolhemos e preparamos a nossa comida do dia a dia.
