Entenda a terapia CAR-T testada no Brasil contra linfoma
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A morte do cantor Netinho, aos 60 anos, em decorrência de um linfoma não Hodgkin do tipo B — um tumor maligno que atinge o sistema linfático —, voltou a chamar a atenção para os avanços da oncologia no combate a esse tipo de câncer.
No Brasil, uma das terapias genéticas e celulares mais promissoras contra a doença está em fase de ensaios clínicos: a terapia CAR-T Cell. Desenvolvida por pesquisadores do Hemocentro de Ribeirão Preto (USP) em parceria com o Instituto Butantan, a técnica utiliza as próprias células de defesa do paciente, reprogramadas em laboratório para reconhecer e destruir os tumores.
Nos dados preliminares da pesquisa nacional, a terapia alcançou uma taxa de resposta de 87,5% nos pacientes avaliados.
Como funciona a tecnologia?
A terapia CAR-T é um tratamento altamente personalizado:
As células de defesa (linfócitos T) são coletadas do sangue do paciente;
Em laboratório, o material genético dessas células é alterado para que elas ganhem receptores capazes de identificar a proteína específica do linfoma;
As células reprogramadas são multiplicadas e reinjetadas no paciente para combater o câncer.
Qual é a situação do tratamento no Brasil?
Embora os resultados até o momento sejam animadores para a comunidade médica, especialistas reforçam que o tratamento ainda enfrenta limitações de acesso:
Estudo em andamento: cerca de 25 pacientes já receberam o produto na fase de testes;
Sem registro na Anvisa: a versão brasileira continua em estágio experimental e não pode ser comercializada;
Indisponível no SUS: o tratamento ainda não faz parte da rede pública de saúde;
Custo elevado na rede privada: na medicina privada (com produtos importados), o procedimento chega a custar entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões por paciente.
Os cientistas destacam que a resposta positiva do organismo em testes não garante a cura definitiva do linfoma, tornando essencial o acompanhamento médico contínuo.
