PlanificaSUS saúde mental no Paraná: o que muda na rede da APS
Publicada em 26 de junho, 2026.
Atualizada em 12 de julho, às 02:00.
Se saúde mental está mais perto do dia a dia, a conversa começa pela Atenção Primária. Foi isso que o Paraná levou ao Conass ao apresentar os avanços do PlanificaSUS Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde (APS) na 6ª Assembleia Ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília, na quarta-feira (24).
Na apresentação, o foco foi mostrar como o cuidado fica mais integrado entre a APS e os serviços especializados. A ideia é simples de entender: é como quando a escola e a saúde combinam o mesmo plano para o aluno, em vez de cada um seguir uma rota por conta própria. Na prática, isso ajuda a criar fluxos mais previsíveis e melhora o entrosamento entre pontos diferentes da rede.
O secretário de Estado da Saúde do Paraná, César Neves, que preside a reunião no Conass por estar como vice-presidente da Região Sul, destacou o protagonismo do estado na organização do cuidado. Segundo ele, o caminho passa por qualificar equipes e integrar serviços para um atendimento mais resolutivo.
O detalhamento técnico ficou com a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes. Ela explicou a trajetória do programa no estado, do projeto piloto iniciado em 2019 até a expansão da metodologia para todas as regiões de saúde, com ênfase em saúde mental.
Números que ajudam a dimensionar: hoje, 1.529 unidades de saúde participam do processo de Planificação da Atenção à Saúde (PAS) no Paraná. A estrutura também inclui 111 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), 36 ambulatórios e 18 equipes multiprofissionais de atenção especializada em saúde mental (eMAESM), para fortalecer a articulação entre APS e rede especializada.
A proposta, conforme Maria Goretti, é organizar o cuidado de forma integrada, contínua e territorializada, de acordo com as necessidades dos usuários. Ela explicou que a planificação qualifica processos de trabalho e aproxima os pontos da rede, criando fluxos mais bem definidos entre APS, ambulatórios, CAPS e demais serviços.
O que muda na prática
Na lógica do PlanificaSUS, a planificação funciona como educação permanente: desenvolve competências e organiza a atenção com base em diretrizes clínicas e no Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC) (um modelo de cuidado voltado para acompanhar condições ao longo do tempo). O que isso favorece é a continuidade do tratamento dentro da Rede de Atenção à Saúde (RAS).
- Integração: conecta UBS, ambulatórios, CAPS e serviços como urgência e emergência e atenção hospitalar
- Linha de cuidado territorializada: organiza o cuidado conforme necessidades do território e do usuário
- Capacitação com manual: usa o Manual de Intervenções em Saúde Mental da OMS, com treinamento voltado a equipes da APS e da saúde mental
- Multiplicadores formados: 480 profissionais já foram capacitados no Paraná
O estado ainda mencionou a expansão do projeto para saúde mental em 2025, com participação da equipe técnica na elaboração de materiais, acompanhamento de indicadores e discussão das etapas de implantação em todo o Paraná. Além disso, a meta entre 2020 e 2023 foi implantar a planificação nas 22 Regionais de Saúde, integrando ações da Atenção Primária e da Atenção Ambulatorial Especializada.
E daí pra mim? Se a rede aprende a funcionar como um plano só, a tendência é o usuário circular com mais segurança entre os serviços, e as equipes ficarem com mais clareza de para onde cada caso deve seguir.

