Saúde trans no SUS: treinamento na Bahia quer humanizar consultas médicas
Publicada em 27 de maio, 2026.
Atualizada em 8 de setembro, às 16:00.

Tentar navegar pelo sistema de saúde sem preparo adequado é como dirigir um carro com o GPS desatualizado: você quer chegar ao destino, mas erra o caminho por falta de informação precisa. Para calibrar essa rota, o Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa (Cedap) realizou, nos dias 25 e 26 de maio, um treinamento intensivo voltado para profissionais de saúde da Bahia.
O evento, chamado Ciclo de Formação Trans-inclusiva: A Clínica Afirmativa com Pessoas Trans, reuniu médicos, enfermeiros e outros especialistas no auditório da unidade. O objetivo principal foi qualificar o atendimento à população trans tanto na rede estadual quanto nos municípios baianos.
Durante os dois dias, o treinamento funcionou como essa atualização de rota para o SUS. A diretora geral do Cedap, Leila Amorim Azevedo, e o coordenador do Ambulatório Trans da unidade, Aílton Santos, abriram o ciclo destacando que um cuidado ético e humanizado salva vidas. A médica ginecologista Patrícia Almeida também reforçou a urgência dessa qualificação.
O que foi discutido no treinamento
O evento dividiu os temas em painéis práticos para cobrir as necessidades do paciente trans:
- Direitos e acolhimento: A promotora de justiça Márcia Regina Ribeiro Teixeira, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), detalhou o direito ao uso do nome social, saúde mental e o papel da instituição na defesa desse público.
- Saúde e prevenção: A ginecologista Patrícia Almeida focou no atendimento ginecológico trans-inclusivo, preventivo de câncer e vacinação contra o HPV (vírus do papiloma humano).
- Tratamento hormonal: A endocrinologista Andreza Berlink explicou a hormonização cruzada (terapia hormonal com foco em características feminilizadoras e masculinizadoras), detalhando riscos e acompanhamento contínuo.
- Apoio psicológico e fonoaudiologia: A psicóloga Lene Lima abordou a terapia afirmativa, enquanto o fonoaudiólogo Gabriel Cabral discutiu a afirmação vocal de gênero (processo de adequação da voz à identidade).
O ciclo também abordou a vivência da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição, método de prevenção que evita a infecção pelo vírus HIV antes do contato) no Ambulatório Trans, apresentada pela enfermeira Lívia Magalhães, além de debates sobre planejamento familiar e gestação transmasculina conduzidos novamente por Patrícia Almeida. O encerramento, feito por Aílton Santos, reforçou a escuta qualificada como ferramenta contra a vulnerabilidade social.
O que muda na prática
Na prática, essa capacitação promovida pelo Cedap e pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) reduz as barreiras invisíveis que afastam pessoas trans dos consultórios. Quando o profissional de saúde atualiza esse GPS interno, o paciente encontra um ambiente seguro, sem constrangimentos na recepção ou diagnósticos incorretos por falta de preparo técnico. Afinal, a saúde de qualidade só existe quando o atendimento é para todos, sem deixar ninguém pelo caminho.
