Política & Gestão

Saúde mental na rua debate como humanizar tratamento sem isolamento em Salvador

Encontro em Salvador reúne especialistas e projetos sociais para fortalecer o atendimento itinerante a pessoas em vulnerabilidade.

Publicada em 29 de maio, 2026.

Atualizada em 31 de agosto, às 12:01.

Saúde mental na rua debate como humanizar tratamento sem isolamento em Salvador
Secretaria Municipal da Saúde - Prefeitura Municipal de Salvador

Cuidar de quem vive sem um teto vai muito além de oferecer assistência básica. Na prática, garantir saúde mental para quem vive na rua funciona como armar uma rede de descanso: se os ganchos estiverem frouxos nas duas paredes, a pessoa cai no chão.

Para amarrar esses nós com segurança, o Projeto Girassóis de Rua participou do 1º Encontro sobre Tecnologias Inovadoras do Cuidado em Liberdade, nesta quinta-feira (28), no Museu Eugênio Teixeira Leal, no Centro Histórico de Salvador. O evento lembrou os 25 anos da Reforma Psiquiátrica Brasileira (a lei que redirecionou a assistência em saúde mental, priorizando o tratamento humanizado fora de hospitais fechados).

O ponto-chave é fortalecer a Raps (Rede de Atenção Psicossocial, o conjunto de serviços do SUS voltado para o acolhimento de saúde mental). Representando o projeto, participaram as equipes do Consultório na Rua, da Unidade de Acolhimento Adulto (UAA) e do Ponto de Cidadania.

Para dar suporte a essa estrutura, a parceria envolve a S3 Gestão em Saúde e a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador, além de unidades de saúde como o Caps Gregório de Matos e o Caps Jardim Baiano (Centros de Atenção Psicossocial).

O que muda na prática

O atendimento itinerante leva a medicina até onde as pessoas estão, reduzindo os danos causados pela vulnerabilidade social. Segundo Júlio César, coordenador do Consultório na Rua da Gamboa, a população de rua é a que mais sofre com preconceitos e com a lógica de isolamento. O acolhimento sem racismo e sem proibicionismo garante que o cidadão receba tratamento adequado com base na redução de danos (estratégia que foca em minimizar prejuízos à saúde).

O Consultório na Rua atua justamente como essa ferramenta essencial de cuidado itinerante e promoção da equidade (garantia de direitos iguais conforme a necessidade de cada um), permitindo escuta e acolhimento direto nas ruas.

Várias instituições ajudaram a debater essas saídas durante o encontro na capital baiana:

  • Universidades parceiras: Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e Universidade Federal da Bahia (Ufba).
  • Gestão e pesquisa: S3 Gestão em Saúde, Fundação Estatal Saúde da Família (FESF/SUS) e Fiocruz Brasília.
  • Conselhos públicos: Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas (Cepad) e Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad).

No fim das contas, a discussão mostra que tratar de saúde mental em liberdade representa o único caminho seguro para que ninguém desabe sem amparo social.

AcessibilidadeCuidados IntegradosEquidade na SaúdeRedes na SaúdeSociedade Civil
Banner

Mais notícias