EpiSUS Fundamental: certificação da 4ª turma no Tocantins muda a vigilância
Publicada em 27 de junho, 2026.
Atualizada em 28 de junho, às 02:04.
Saúde pública funciona como um painel de carro: quando os dados estão organizados, o motorista enxerga cedo o problema e evita sustos. Nesta sexta-feira, 26, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) certificou a quarta turma do treinamento do EpiSUS Fundamental, reforçando a vigilância epidemiológica no estado.
O curso é do Ministério da Saúde (MS), e o objetivo é preparar equipes para atuar em investigações epidemiológicas (analisar padrões de doenças para entender o que está acontecendo), fazer análises de situação de saúde (ler o cenário com base em dados) e responder a eventos e emergências em saúde pública de interesse nacional e internacional no SUS do Tocantins.
A formação de epidemiologistas de campo tem duração de três meses. Os encontros presenciais acontecem mensalmente, com atividades práticas no próprio local de trabalho. Na prática, o aprendizado é para transformar informação em ação: analisar dados, identificar riscos, planejar atividades e detectar mais cedo possíveis surtos.
Para fechar a etapa, os trabalhos apresentados incluíram a Análise dos óbitos por lesão autoprovocadas no estado do Tocantins, no período de 2020 a 2024, um estudo sobre Acidente por animal peçonhento em Palmas com tendência temporal e também o perfil do diagnóstico da Sífilis em gestantes em Palmas. As áreas abordadas foram Agravos não Transmissíveis, Doenças Vetoriais e zoonoses e Doenças Transmissíveis.
A Superintendente da Vigilância Epidemiológica no Tocantins, Perciliana Bezerra, destacou a importância da epidemiologia como ferramenta de vigilância para planejamento, definição de prioridades e tomada de decisões em saúde. Ela também mencionou o ganho para profissionais em estados e municípios nas frentes de prevenção, promoção e controle.
O que muda na prática
A coordenadora do CIEVS Estadual, Arlete Otoni, explicou que o curso ajuda epidemiologistas de campo a usar análise de dados na rotina dos serviços. A consequência esperada é um planejamento mais estratégico e uma identificação precoce de possíveis surtos, com fortalecimento da vigilância em saúde.
- Onde fortalece: nos serviços do SUS no Tocantins, na rotina de vigilância
- Para que serve: apoiar investigação, análise de situação e resposta a emergências em saúde pública
- O que vai ao dia a dia: uso de dados para planejamento e detecção precoce de surtos
- Por que importa: melhora as ações de prevenção, promoção e controle de doenças
Quem está na operação sentiu esse efeito na prática. A enfermeira de Formoso do Araguaia, Ana Keila Alencar Sousa, relatou sete anos de atuação na vigilância e disse que, após o treinamento, se percebe mais capacitada para executar o trabalho também como epidemiologista de campo.
Além do encerramento no Tocantins, o Ministério da Saúde informou que, a partir de agosto, o programa será levado a outros países em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). E aí faz sentido: mais qualificação para vigilância significa mais base para decidir rápido. Ou seja, e daí pra mim? Para o cidadão, a expectativa é de respostas mais bem informadas quando a saúde começa a dar sinais de risco.
