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Teste do Pezinho e doença falciforme: o que muda quando vem cedo

A detecção precoce pelo Teste do Pezinho permite iniciar o tratamento e acompanhar sinais do corpo cedo, organizando prevenção e condutas para emergências como sequestro esplênico e riscos neurológicos.

Publicada em 19 de junho, 2026.

Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Teste do Pezinho e doença falciforme: o que muda quando vem cedo
Imagem de Pedro Henrique, de oito anos, sorrindo ao mesmo tempo em que está fazendo transfusão de sangue.SES Distrito Federal

Quando o Teste do Pezinho encontra a doença falciforme logo nos primeiros dias, o cuidado deixa de ser “tentativa” e vira planejamento. No Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), o tratamento vai sendo ajustado ao que aparece no corpo desde cedo para reduzir o peso das complicações ao longo dos anos.

A doença falciforme é genética e crônica. O problema aparece porque a hemoglobina S (uma forma alterada da hemoglobina) faz os glóbulos vermelhos mudarem de formato, ficando curvos, como uma foice. Com isso, surgem duas frentes que se misturam.

A primeira é a hemólise (ruptura das hemácias): com isso, a meia-vida dessas células cai e aparece a anemia hemolítica. A segunda é a vaso-oclusão (obstrução dos vasos): as células aderem à parede dos vasos e dificultam a circulação, com menos oxigênio chegando ao tecido.

Imagine um cano que vai ficando parcialmente entupido ao longo do tempo: a água (no caso, o oxigênio) demora mais para chegar, e o corpo sente esse atraso. Nessa doença, quando a travada aparece, podem surgir dor óssea ou articular. Segundo a hematologista Isis Magalhães, diretora técnica do HCB, em bebês a dactilite (dor nos ossos dos dedinhos) costuma aparecer antes do primeiro ano. Em crianças maiores, entram quadros de dor nos ossos longos e, às vezes, dor abdominal.

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Outro lado importante é a proteção contra infecções. Como o baço sofre impacto na doença, a criança fica mais vulnerável a pneumonias, meningite, sepse e outras infecções ligadas a pneumococo e ao Haemophilus influenzae. Por isso, o manejo inclui vacinas específicas e profilaxia com penicilina.

O que muda na prática

Um alerta é o sequestro esplênico, emergência que pode acontecer até os 5 anos. Nessa situação, o sangue vai para o baço e a criança fica pálida, com sinais de choque e mudança de consciência, precisando de transfusão sanguínea no hospital mais próximo.

Há também risco neurológico por causa da vaso-oclusão: pode ocorrer acidente vascular cerebral isquêmico. No HCB, crianças fazem doppler transcraniano a partir dos 2 anos; quando o risco aumenta, entram em transfusões regulares. Em casos selecionados, o hospital realiza transplante de medula óssea, com 21 transplantes em crianças com doença falciforme.

E daí pra mim? Se a identificação acontece cedo e o acompanhamento continua, a criança não fica entregue às complicações sem direção. O cuidado organiza risco, dor e emergências para que, ao longo do caminho, a vida avance com mais qualidade.

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