Inovação & Tecnologia

Dessalinização no Semiárido: projeto Sal da Terra transforma rejeito em produção

Sal da Terra vai atender comunidades do Água Doce em sete estados do Nordeste por três anos, levando tecnologias para transformar o rejeito da dessalinização em produção.

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Publicada em 26 de junho, 2026.

Atualizada em 28 de junho, às 04:06.

Dessalinização no Semiárido: projeto Sal da Terra transforma rejeito em produção
Ministério da Ciência, Tecnologia e InovaçãoMCTI

No Semiárido, a água do subsolo pode vir com muito sal, e é a dessalinização que ajuda a colocar esse recurso em condições de uso. Só que, junto com a água filtrada, sobra um concentrado salino (o rejeito da dessalinização), que pode virar problema se for descartado sem tratamento. O projeto Sal da Terra nasce para mudar essa história: o material salino deixa de ser só descarte e passa a ter uso produtivo.

O lançamento aconteceu nesta sexta-feira (26) em Petrolina (PE), com a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.

Na prática, os dessalinizadores separam a água dos sais com membranas filtrantes. Isso gera duas saídas: uma fração vira água própria para consumo e a outra fica como concentrado salino. Quando esse concentrado vai parar no ambiente sem cuidado, o risco é de salinização do solo e de contaminação nas áreas ao redor dos sistemas. Ou seja: o “resto” precisa de destino melhor.

O que sustenta a virada

O Sal da Terra foi desenvolvido pela Embrapa Semiárido, a partir de uma encomenda tecnológica do MCTI, por meio da Sedes. Para sair do papel, o projeto recebeu R$ 21 milhões do FNDCT, operado pela Finep.

A execução vai ocorrer por três anos em comunidades atendidas pelo Programa Água Doce, do MIDR, em sete estados do Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.

Para entender a lógica, pense em aproveitar água de lavagem que, antes, ia embora e hoje entra na rotina da horta. Aqui, a ideia é parecida, mas com suporte técnico e tecnologia para lidar com o rejeito salino sem perder o controle do que está sendo produzido.

O que muda na prática

O projeto prevê implantar e recuperar 50 Unidades Produtivas de Agricultura Biossalina, com assistência técnica e capacitação para cerca de 700 agricultores familiares, técnicos e extensionistas.

A proposta também reúne pesquisas e aplicações ligadas ao uso sustentável da água salobra e do concentrado gerado pelos sistemas. Entre as frentes citadas estão: cultivo de plantas adaptadas à salinidade, produção de bioinsumos, criação de tilápias, cultivo de microalgas e aprimoramento de sistemas de irrigação para cenários de escassez.

  • Público-alvo: cerca de 700 agricultores familiares, técnicos e extensionistas
  • Tecnologia no campo: 50 Unidades Produtivas de Agricultura Biossalina
  • Caminho do rejeito: o concentrado salino deixa de ser descarte sem uso
  • Aplicações produtivas: plantas salinas, bioinsumos, tilápias, microalgas e irrigação adaptada

Na fala da ministra, o objetivo foi conectar conhecimento a uma solução concreta para segurança hídrica e alimentar, com geração de renda e fortalecimento da agricultura familiar.

E daí pra mim?

Se essa água de dessalinização não virar só conta e descarte, mas for acompanhada de tecnologia e orientações para produção, o ganho é direto: menos desperdício, mais atividade no território e um uso que faz sentido para quem já convive com a escassez.

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