Emergência psiquiátrica 24 horas no HSM: quando procurar e o que muda
Publicada em 25 de maio, 2026.
Atualizada em 11 de julho, às 08:01.

Uma crise de pânico, ansiedade ou um comportamento que foge do controle costuma aparecer do nada. Foi assim com Joaquim Cavalcanti, 37 anos, que chegou à emergência do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), pela primeira vez após uma crise aguda.
Ele conta que sentiu falta de ar, taquicardia e um medo intenso de estar “morredo”. Na chegada, diz que foi acolhido e atendido com rapidez. Depois da avaliação, seguiu para acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
No HSM, a emergência psiquiátrica funciona 24 horas por dia para acolher pacientes em situações agudas de sofrimento mental. Em 2025, foram realizados 22.223 atendimentos (média mensal de 1.852 pacientes). No mesmo período, o total de 2.250 internações.
De janeiro a abril deste ano, 7.877 pessoas passaram pela emergência em busca de assistência especializada. Entre os diagnósticos mais vistos na unidade estão transtornos mentais e comportamentais ligados ao uso de múltiplas drogas e outras substâncias psicotrópicas; transtornos ansiosos; transtorno afetivo bipolar; psicose não orgânica e não especificada; episódios depressivos; esquizofrenia; transtornos específicos de personalidade; e transtornos decorrentes do uso de álcool e cocaína.
A enfermeira Ana Paula Gomes, da emergência, chama atenção para um ponto que pega no dia a dia: ainda existe estigma quando a pessoa precisa de atendimento psiquiátrico de urgência. Ou seja, muita gente demora por vergonha ou medo do julgamento, quando deveria procurar cuidado logo.
O cuidado começa de forma prática. Imagine uma “fila de socorro” que organiza a urgência como um semáforo: primeiro quem precisa de monitoramento e decisão rápida, depois quem pode aguardar avaliação e direcionamento. No HSM, isso vira procedimento.
- Risco primeiro: o paciente passa por acolhimento com classificação de risco (feito pela enfermagem), com coleta das informações iniciais.
- Gravidade em cores: depois, é classificado conforme o nível de gravidade, usando o sistema de cores adotado pelo serviço.
- Equipe médica no plantão: a coordenação médica da Emergência é da psiquiatra Raquel Garcia, com dois a três médicos psiquiatras e residentes.
- Observação para casos mais instáveis: há seis leitos de observação para os casos mais agudos, em que o paciente fica monitorado enquanto se define a conduta ou vaga para internação.
O que muda na prática
Nem todo paciente atendido na emergência precisa de internação. A equipe relata que, no ano passado, cerca de dez por cento dos pacientes precisaram internar. Muitos seguem para alternativas como ambulatório, plantão psicológico, hospitais-dia e Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
O ponto-chave é simples: procure a emergência psiquiátrica quando houver sofrimento psíquico agudo grave, quadros crônicos descompensados, alterações graves de comportamento, ou risco para si ou para outras pessoas, incluindo agressividade e risco de suicídio.
E daí para mim? Se a crise chegou, a porta existe, funciona 24 horas e organiza o atendimento para quem precisa primeiro, com acolhimento e caminho terapêutico logo depois.
