Inovação & Tecnologia

FNDCT e P&D crescem 30% e 35% de 2021 a 2024

Levantamento do MCTI mostra que a recomposição do FNDCT virou combustível pra financiar laboratórios e projetos longos no país

Fonte:
MCTI

Publicada em 19 de junho, 2026.

Atualizada em 1 de outubro, às 19:11.

FNDCT e P&D crescem 30% e 35% de 2021 a 2024

O Brasil voltou a botar dinheiro em ciência, tecnologia e inovação. Um estudo divulgado nesta terça-feira (16) indica que o investimento público em C&T cresceu 30% no País, de 2021 a 2024, e que os recursos para pesquisa e desenvolvimento (P&D) aumentaram 35% no mesmo período.

Os números fazem parte do levantamento Dispêndio Nacional em C&T e P&D — Setores Governamental e Empresarial 2014-2024, apresentado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no Rio de Janeiro (RJ). A recomposição do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) aparece como fator-chave: os recursos do principal instrumento de apoio à ciência e à inovação subiram 216% no intervalo analisado, ampliando as condições de investimento.

Depois de uma retração que foi de 2015 a 2021, a recuperação sinaliza que o Estado voltou a sustentar políticas públicas de longo prazo e a recuperar capacidade de financiar atividades científicas. Em 2024, os investimentos governamentais chegaram a R$ 88,7 bilhões em ciência e tecnologia e R$ 72,9 bilhões em pesquisa e desenvolvimento.

A ministra Luciana Santos resumiu assim: “O Brasil voltou a investir em ciência, tecnologia e inovação. Essa é uma prova do papel estratégico do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da importância da retomada de políticas voltadas à tecnologia, que trazem efeitos concretos no desenvolvimento do País”.

E não ficou só no governo. Os aportes do setor empresarial também subiram: de R$ 67 bilhões para R$ 72 bilhões em investimentos privados em P&D de 2021 a 2024.

Segundo a ministra, a existência de instrumentos e programas de financiamento ajuda a criar um ambiente mais previsível para decisões de inovação, citando a recomposição do FNDCT, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e os instrumentos da Finep. Ela reforçou que previsibilidade é “um ativo tão importante quanto o volume de recursos”.

O levantamento ainda aponta expansão em estados das regiões Norte e Nordeste. Entre os que registraram algumas das maiores taxas de crescimento no período estão Acre (AC), Ceará (CE), Pará (PA), Rondônia (RO), Roraima (RR) e Tocantins (TO).

Mesmo com concentração ainda alta onde os sistemas de pesquisa são mais consolidados, os dados indicam mais dinamismo em diferentes regiões, com presença maior de atividades científicas e tecnológicas em novos territórios.

Por que isso é importante

  • Mais recursos em C&T e P&D tendem a significar laboratórios mais ativos, formação de gente qualificada e projetos que não precisam ser “curtos e apressados”.
  • Com FNDCT mais forte e previsibilidade maior, empresas ficam mais propensas a investir em inovação sem viver no improviso.
  • A expansão em Norte e Nordeste sugere que o impacto do financiamento pode chegar mais longe do eixo já consolidado.

Na cerimônia, a ministra também lançou o projeto Ciência de Dados pelo Brasil, com investimento superior a R$ 13 milhões e execução prevista para 36 meses, e o Tecnova 2026/2027: R$ 588 milhões para micro e pequenas empresas inovadoras, sendo R$ 360 milhões do FNDCT e R$ 228 milhões de contrapartidas estaduais e distrital.

Enfim: quando o dinheiro chega com constância, a ciência para de depender de sorte — e passa a ter ritmo.

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