Política & Gestão

Diagnóstico de malária no Tocantins passa por pente-fino para evitar erros em exames

Profissionais de quatro municípios participam de treinamento intensivo de 40 horas do Lacen para padronizar análises laboratoriais no estado.

Publicada em 28 de maio, 2026.

Atualizada em 2 de setembro, às 14:00.

Diagnóstico de malária no Tocantins passa por pente-fino para evitar erros em exames
Secretaria da Saúde - SAUDE-TO

Quando o juiz de futebol vai ao VAR, ele precisa de uma imagem limpa para não errar o lance. Na saúde pública, o laboratório municipal funciona do mesmo jeito: as equipes de saúde precisam calibrar os olhos para identificar os menores sinais de doenças graves no microscópio.

Esta semana, o Laboratório Central de Saúde Pública do Tocantins (Lacen/TO), vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO), reuniu profissionais de quatro municípios para uma capacitação técnica de 40 horas. O objetivo é padronizar as análises laboratoriais e garantir diagnósticos mais seguros de malária e doença de Chagas.

A capacitação foca em atividades teóricas e práticas de manipulação, análise e leitura de lâminas (as placas de vidro onde o sangue é examinado). É como limpar as lentes do VAR para garantir que nenhum detalhe passe despercebido pelos técnicos das cidades de origem.

Segundo a bióloga em saúde Rosany Kely de Oliveira Pereira, o treinamento atende tanto a pedidos das prefeituras quanto ao monitoramento contínuo feito pelo Lacen/TO. A instituição identifica quais cidades precisam de reforço técnico na coloração ou análise das lâminas para agir preventivamente.

O que muda na prática

Na prática, o paciente do interior do estado passa a contar com um diagnóstico muito mais preciso perto de casa, sem precisar esperar o envio de amostras para a capital. Isso acelera o início do tratamento de doenças que podem ser fatais se não forem descobertas a tempo.

O suporte técnico é ainda mais crucial para municípios na área de influência das linhas de transmissão de energia elétrica, os chamados "linhões", na Amazônia Legal. Essas regiões exigem vigilância constante por serem áreas com circulação ativa de doenças endêmicas (doenças que ocorrem habitualmente em uma região específica).

O farmacêutico bioquímico Emerson Dias Tavares, do município de Ponte Alta do Tocantins, explica que o aprendizado serve para implantar e fortalecer o serviço na própria cidade, melhorando diretamente a assistência à população local.

A preparação faz parte de uma rotina anual do laboratório estadual. De acordo com o diretor do Lacen/TO, Fernando Souza Vaz, o órgão funciona como uma rede de apoio técnico permanente para as equipes municipais por meio do controle de qualidade das lâminas enviadas.

  • Foco do treino: Diagnóstico preciso de malária e doença de Chagas
  • Carga horária: 40 horas de aulas teóricas e práticas
  • Certificação: Emitida pela Escola Tocantinense do Sistema Único de Saúde (ETSUS)
  • Outras frentes: Treinamentos semestrais para leishmaniose tegumentar americana, hanseníase e tuberculose

No fim das contas, a precisão no laboratório local evita que o paciente precise "chutar" o tratamento ideal, trazendo mais segurança para o sistema de saúde do Tocantins.

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