Política & Gestão

Violência contra a pessoa idosa: SES capacita para identificar e notificar em Sergipe

Secretaria de Estado da Saúde promove oficina para identificação e notificação de violência contra a pessoa idosa

Publicada em 19 de junho, 2026.

Atualizada em 19 de julho, às 02:01.

Violência contra a pessoa idosa: SES capacita para identificar e notificar em Sergipe
Governo de SergipeSES Sergipe

Violência contra pessoa idosa costuma nascer bem perto, como uma geladeira ligada no canto da casa: você até vai levando, mas os sinais ficam lá, e alguém precisa perceber a tempo. Em Sergipe, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) puxou uma oficina justamente para treinar quem vê esses sinais no atendimento do dia a dia.

Na quarta-feira, 17, a SES, por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS), realizou a atividade “Violência Contra a Pessoa Idosa: Identificar para Acolher, Notificar para Melhor Cuidar!”. A ação contou com a parceria da Fundação Estadual de Saúde (Funesa) e da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

O foco foi direto: identificar e notificar. Segundo a referência técnica do Núcleo de Vigilância de Violências e Acidentes da SES, Ingrid Lima, muitos agressores são familiares, então profissionais que atendem de perto, inclusive em ações que chegam às residências, tendem a ter mais chances de notar o que foge do normal e encaminhar para o caminho de proteção.

A oficina também colocou o tema em perspectiva. A violência contra a pessoa idosa pode envolver agressões interpessoais (feitas por terceiros) e também autoprovocadas (autoinfligidas pela própria vítima). E a SES trouxe um alerta com números que aparecem no sistema de notificações: entre 2014 e 2025, o Sinan registrou cerca de 1.900 casos em Sergipe, saindo de 67 em 2014 para 318 em 2025.

O que muda na prática

Na prática, a capacitação orienta o trabalho para reconhecer diferentes formas de violência: física, psicológica, sexual e financeira ou patrimonial. O treinamento também incluiu negligência e abandono, com atenção a sinais físicos, situações de negligência e mudanças comportamentais.

Participaram pessoas idosas, profissionais de saúde e estudantes do último ano dos cursos da área da Saúde da UFS. Para Maria Vilma Bezerra, integrante do Nupati, de 66 anos, o assunto ainda aparece pouco na conversa pública. Já a estudante de Enfermagem Jamile dos Santos destacou que, muitas vezes, a violência é tratada apenas como algo “do lado físico”, enquanto outras formas também exigem reconhecimento para a atuação correta.

  • Público-alvo: profissionais de saúde e estudantes para identificar e notificar
  • Referência do registro: Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação)
  • Formas abordadas: física, psicológica, sexual, financeira/patrimonial, negligência e abandono
  • Rede de suporte: Disque 100, Cras, Creas, Delegacias (DAGV), Ministério Público, Conselhos e serviços do SUS

No fim, a ideia é aterrissar o “e daí pra mim?”: quando o caso é registrado, a vítima passa a ter mais chances de acolhimento e a rede consegue acompanhar melhor o cuidado. Na prática, isso vira parte do tratamento, porque informar também é agir.

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