Bem-Estar

Coração artificial no SUS: primeira paciente do Paraná passa por cirurgia

O caso de Andressa Fátima Reinaldi Banach mostra como a logística do TFD (Tratamento Fora de Domicílio) e o suporte do estado tornam a terapia avançada possível no sistema público.

Publicada em 20 de junho, 2026.

Atualizada em 15 de julho, às 16:00.

Coração artificial no SUS: primeira paciente do Paraná passa por cirurgia
Secretaria da SaúdeSES Paraná (SESA)

O tipo de tratamento que muita gente vê como “distante” chegou ao dia a dia de uma família em Curitiba: com apoio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Andressa Fátima Reinaldi Banach, de 38 anos, foi a primeira paciente paranaense a receber um coração artificial pelo SUS.

Na prática, a história começa pelo que impedia a alternativa mais comum. Andressa tem insuficiência cardíaca grave, com dilatação progressiva do ventrículo esquerdo, e perdeu a capacidade de bombear sangue. O transplante cardíaco tradicional ficou inviável porque ela tinha contraindicação ligada à alta sensibilização prévia (por gestações anteriores) e incompatibilidade com 99% de potenciais doadores. O implante do dispositivo de assistência ventricular HeartMate 3 virou, então, a única alternativa terapêutica considerada viável.

Como em um “revezamento” que precisa funcionar sem falhas, o processo foi organizado em etapas e com diferentes unidades. A cirurgia do implante aconteceu no dia 12 de maio, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e Andressa ficou internada até 20 de maio. Depois, foi encaminhada por UTI aérea ao Paraná e seguiu internada no Hospital do Rocio, em Campo Largo (RMC), onde permaneceu dez dias no pós-operatório e recebeu alta em 29 de maio.

O secretário de Estado da Saúde, César Neves, tratou o caso como um marco e explicou que a Sesa articulou hospitais de referência no Paraná com o centro especializado em São Paulo, além de garantir a logística do TFD e o transporte em UTI aérea.

E para entender o impacto clínico: a equipe relata que Andressa tinha um painel imunológico muito alto, de 99%, o que seria contraindicação total para o transplante, por risco de rejeição imediata ao órgão.

O que muda na prática

  • Acesso pelo SUS: o procedimento foi viabilizado com articulação direta da Sesa entre hospitais e etapas do cuidado.
  • Logística garantida: o TFD e o transporte em UTI aérea entram como parte do caminho, não como detalhe.
  • Tratamento avançado quando não dá para transplantar: o HeartMate 3 foi apresentado como terapia avançada para casos em que a doença se torna refratária (para de responder ao tratamento).
  • Acompanhamento contínuo: o pós-operatório segue com monitoramento e cuidados por tempo indeterminado.

E daí para mim: não é só sobre uma cirurgia em outro estado. É sobre o SUS conseguir montar a ponte inteira para um tratamento de alta complexidade acontecer onde a pessoa mora e continuar acompanhando depois.

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