Letramento racial: João Pessoa treina psicólogos para acolher vítimas de racismo
Publicada em 28 de maio, 2026.
Atualizada em 4 de setembro, às 08:01.

Imagine tentar rodar no trânsito usando um aplicativo de GPS desatualizado. Você certamente vai errar o caminho, ignorar os novos desvios e deixar de ver os buracos na pista. Na psicologia, atender quem sofre preconceito sem entender a realidade social é exatamente como dirigir com esse mapa antigo.
Para atualizar essa rota, uma capacitação online nesta quinta-feira (28), às 19h, vai preparar futuros psicólogos para acolher vítimas de racismo e de intolerância religiosa em João Pessoa.
A iniciativa é da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de João Pessoa, que realiza a oficina prática como parte do curso de letramento racial (processo de formação que ensina a identificar o racismo estrutural na sociedade e a criar formas de combatê-lo).
O treinamento é exclusivo para os estagiários de psicologia da coordenadoria e para os servidores do setor. Quem comanda a transmissão é a coordenadora Carla Uedler, com o suporte técnico da psicóloga responsável, Dra. Thamara Bernadino.
De acordo com a coordenação, a dor de quem sofre discriminação não pode ser tratada de forma puramente clínica e genérica. É preciso entender o contexto social de quem vive essa realidade.
A coordenadora Carla Uedler explica que a ação prepara os estudantes para irem além da técnica de consultório. O objetivo é desenvolver uma escuta qualificada que reconheça os impactos históricos na saúde mental das populações negras e de comunidades religiosas discriminadas.
- Data e horário: nesta quinta-feira (28), a partir das 19h
- Formato: online, exclusivo para estagiários de psicologia e servidores da pasta
- Facilitadoras: coordenadora Carla Uedler e psicóloga Dra. Thamara Bernadino
- Objetivo principal: capacitar profissionais para o acolhimento qualificado de vítimas de racismo e intolerância religiosa
O que muda na prática
O atendimento em saúde mental ganha uma camada essencial de reparação e respeito. Na prática, o paciente encontra um profissional preparado para validar o sofrimento causado pela opressão estrutural, garantindo que o consultório funcione de fato como um espaço seguro e acolhedor.
E por que isso importa para você? No fim das contas, a saúde mental não existe isolada do mundo real. Quando o serviço público treina seus futuros profissionais para enxergar as dores do racismo, toda a rede de acolhimento fica mais humana, precisa e justa.
