Parto humanizado no SUS: Ribeirão Preto organiza pré-natal e orienta
Publicada em 24 de maio, 2026.
Atualizada em 11 de julho, às 04:01.

Chegar perto do parto costuma trazer uma dúvida bem prática: quem vai estar com você, o que acontece na maternidade e como lidar com o desconforto durante a gestação. Em Ribeirão Preto, o Centro de Referência da Saúde da Mulher – MATER (CRSMRP-MATER) puxa esse cuidado pelo SUS com um caminho bem guiado, do acompanhamento até o nascimento.
O CRSMRP-MATER, que funciona sob gestão da Secretaria de Estado de Saúde (SES-SP) e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), mantém há 14 anos o Projeto Nascer. O programa recebe gestantes depois da 36ª semana e oferece consultas pelo SUS com equipe multidisciplinar.
Como o cuidado começa (e por que dá mais segurança)
Na prática, o atendimento inicia pela avaliação da equipe obstétrica. A diretora de Atenção à Saúde do CRSMRP-MATER, doutora Ana Carolina Tagliatti Zani Mantovi, explica que a gestante passa primeiro por obstetras, que revisam o pré-natal, checam doenças, medicações e os riscos gestacionais.
Quando a gravidez entra no protocolo de risco habitual do MATER, a equipe organiza o restante do cronograma: retorno com obstetra e, junto, atendimentos da multiprofissional. Além disso, todas são convidadas para participar do grupo de gestantes, com orientações sobre alívio de dor no parto, cuidados com o bebê e visita guiada.
Esse cuidado também inclui exames anteparto, com ultrassonografia e cardiotocografia. A cardiotocografia é o exame que acompanha a frequência cardíaca do bebê e as contrações do útero (ou seja, ajuda a equipe a entender como o corpo está respondendo). Há ainda exames laboratoriais.
Para deixar tudo mais previsível, a proposta é aproximar a gestante da maternidade: conhecer a unidade e as salas de parto, além de saber quem pode estar envolvido no atendimento no dia.
O que muda na prática
O Projeto Nascer organiza um cuidado integrado para gestantes de risco habitual, com assistência conforme a necessidade. O serviço mantém capacidade de realizar consultas semanais até o nascimento.
- Público-alvo: gestantes referenciadas por UBS, com gravidez de baixo risco e encaixe no protocolo do MATER
- Acompanhamento: equipe multiprofissional e grupo de gestantes com orientações
- Exames anteparto: ultrassonografia e cardiotocografia, além de exames laboratoriais
- Plano de parto: acolhimento para aconselhamento sobre decisões entre cesariana ou parto vaginal e uso de anestesia
Para entrar, a gestante precisa ser referenciada por uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e passar pela avaliação da equipe. Como o hospital atende pacientes de várias cidades, essa triagem ajuda a direcionar quais serviços multidisciplinares fazem mais sentido para cada caso.
O ponto é parecido com preparar a mala antes de viajar: quando o trajeto está claro, a caminhada fica menos pesada. E aqui o “roteiro” é o acompanhamento, as orientações, o grupo e a assistência integrada pelo SUS até o nascimento.
E daí pra mim: se você está nessa fase, o ganho prático é ter informação, acompanhamento e aproximação com a maternidade, com apoio do SUS para construir o plano de parto e chegar mais tranquila ao dia.
