Doação de sangue e doença falciforme: por que isso muda o dia a dia
Publicada em 19 de junho, 2026.
Atualizada em 17 de julho, às 16:00.
Quando a doença falciforme entra na rotina, a vida fica mais dependente de um item básico: sangue disponível. E, na prática, a doação tem um papel direto nessa continuidade do cuidado, porque pode haver necessidade de transfusões em diferentes momentos ao longo da vida do paciente.
O alerta é feito em meio ao Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, celebrado em 19 de junho. A doença é genética, hereditária e acontece por alterações nas hemácias (as células do sangue que transportam oxigênio).
Em Sergipe, o Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), unidade gerida pela Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), integra a linha estadual de cuidado para pessoas com doença falciforme. A equipe oferece acompanhamento hematológico especializado e suporte transfusional.
Na avaliação do superintendente e hematologista do Hemose, Richer Mota, o trabalho começa no diagnóstico e segue até a transfusão. Ele explica que o Hemose atua da confirmação diagnóstica ao suporte transfusional, já que os pacientes podem precisar de transfusões em fases diferentes.
O ponto-chave: estoques abastecidos fazem diferença
Pensa numa geladeira que precisa ficar sempre com espaço e comida pronta: quando a necessidade aparece, falta menos tempo para resolver. No caso da hemoterapia, a ideia é parecida: manter os estoques de sangue abastecidos é indispensável para garantir que o suporte transfusional esteja disponível quando for necessário.
O Hemose destaca que, por isso, também é importante estimular doações entre população, familiares e amigos. Segundo Richer Mota, a orientação e o incentivo à doação ajudam a sustentar o tratamento de pessoas que convivem com a possibilidade de precisar de transfusões ao longo da vida.
- Papel do Hemose: suporte desde a confirmação diagnóstica até o suporte transfusional
- Por que doar: manter a disponibilidade de sangue para transfusões em momentos diferentes
- Quem contribui: doadores (incluindo familiares e amigos) ligados ao cuidado dos pacientes
- Desafio atual: ampliar o entendimento da linha de cuidado por profissionais e serviços de saúde
Quando a ajuda vira rotina
A dona de casa Jaciara Pereira descobriu a anemia falciforme do filho Natan pelo teste do pezinho. Morando em Sergipe há 4 anos e 6 meses, Natan é acompanhado pelo Hemose e já precisou de duas transfusões em períodos de internação.
Já Antônio Vitor, de 27 anos, é acompanhado há 15 anos. A mãe, Shirleide Santos de Souza, relata que o filho depende de transfusões para manter a saúde, especialmente quando a hemoglobina baixa e a condição neurológica rara piora junto com crises da doença falciforme.
Para os dois casos, a doação aparece como parte do “fundo” do atendimento: o tratamento depende de um sistema que precisa estar pronto.
E, no fim das contas, fica a pergunta simples: se um dia a demanda bater na sua porta, como vai estar o estoque? No Hemose, o recado é direto — doar sangue hoje sustenta o cuidado de quem precisa agora e de quem pode precisar amanhã.

