Canetas emagrecedoras no SUS: estudo com 250 pacientes começa em Porto Alegre
A fila para cirurgia bariátrica no SUS ganhou uma nova alternativa em Porto Alegre. O Ministério da Saúde iniciou um projeto-piloto que oferece canetas emagrecedoras, com o princípio ativo semaglutida, para 250 pacientes do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) que lidam com obesidade grave ou associada a outras doenças.
O estudo, batizado de Real-Bari, vai acompanhar esses pacientes por dois anos. A ideia é entender como esse tratamento, que já é usado em outros contextos, se encaixa na realidade do Sistema Único de Saúde, avaliando desde a perda de peso e a qualidade de vida até os custos envolvidos.
Como funciona a caneta?
A semaglutida é um medicamento que imita um hormônio intestinal, ajudando a regular o apetite e a desacelerar o esvaziamento do estômago. Na prática, isso significa que a pessoa se sente satisfeita por mais tempo, o que pode levar à redução da ingestão de alimentos e, consequentemente, à perda de peso.
Quem pode participar?
Para entrar no estudo, os pacientes precisam ter o diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses e já ter tentado tratamentos convencionais, como dietas e exercícios, sem sucesso duradouro. Além disso, é preciso ter condições de aplicar o medicamento sozinho ou contar com um cuidador.
O que muda na prática?
O projeto é um passo importante para que medicamentos como a semaglutida se tornem mais acessíveis no SUS. A expectativa é que os resultados do estudo gerem evidências para que o tratamento possa ser ampliado para outras regiões do país.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o Brasil está sendo pioneiro ao introduzir essa tecnologia no sistema público. A pesquisa conta com o apoio financeiro da Novo Nordisk, fabricante do medicamento, e da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs).
Guilherme Henrique Panichi, 39, motorista de aplicativo e um dos participantes do estudo, vê a iniciativa com esperança. Ele convive com o ganho de peso desde a infância e já enfrenta complicações como diabetes e hipertensão. "Mudar essa chave, de mudar meu estilo de vida", afirma sobre o que espera alcançar com o tratamento.
