Energia renovável no Semiárido: CTERSA do Insa nasce com R$ 34 milhões
Publicada em 19 de junho, 2026.
Atualizada em 28 de junho, às 10:07.
Sol e vento todo dia no Semiárido geram uma pergunta prática: como transformar esse potencial em tecnologia que siga funcionando na vida real. Nesta sexta-feira (19), o Instituto Nacional do Semiárido (Insa), na Paraíba, inaugurou o Centro de Tecnologia em Energias Renováveis do Semiárido (CTERSA) com a missão de encurtar a distância entre pesquisa, desenvolvimento tecnológico e produção.
O centro foi viabilizado com R$ 34 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), via Finep. A proposta é juntar pesquisadores, empresas e instituições públicas para desenvolver soluções ligadas à transição energética e ao desenvolvimento sustentável da região.
Na prática, a ideia é “sair do papel e chegar ao chão”. O CTERSA foi organizado para manter pesquisa e laboratório mais próximos do que pode virar tecnologia. O espaço ocupa 2.205 m², com áreas administrativas e laboratórios especializados.
Para dar conta do desafio com variedade de fontes, o trabalho se divide em cinco frentes estratégicas: energia solar, energia eólica, biomassa, biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão de carbono. Além disso, o centro vai tratar de temas que ajudam a viabilizar o uso prático dessas soluções, como dessalinização (processo de retirar sal da água), automação de processos, economia circular, captura de carbono e gestão inteligente de energia.
O diretor do Insa, Etham Barbosa, resumiu a função do espaço como um hub de inovação: um ponto de encontro para conectar atores do ecossistema científico e tecnológico e acelerar respostas para desafios das energias renováveis no Semiárido.
O que muda na prática
O objetivo declarado é aumentar a capacidade de produzir soluções adaptadas às condições da região, organizando o caminho entre laboratório e aplicação.
- Foco: energia solar, eólica, biomassa, biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão de carbono
- Estrutura: 2.205 m² para laboratórios e áreas administrativas
- Linhas de pesquisa: dessalinização, automação de processos, economia circular e captura de carbono
- Objetivo: conectar pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e setor produtivo
A inauguração também aparece dentro de uma estratégia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para consolidar o Semiárido como polo de inovação em energias renováveis. Entre as iniciativas citadas está a Agenda Estratégica para 2032, que reuniu estudos sobre desafios e oportunidades e definiu mais de 300 ações ligadas ao desenvolvimento de energia solar, eólica, biomassa e hidrogênio de baixo carbono.
Outra frente mencionada é a participação no Programa Vértice, voltado à aceleração de deeptechs (tecnologias avançadas) em energias renováveis, com apoio a projetos dos 11 estados do Semiárido. E, no pacote de investimentos, o MCTI informou que entre 2023 e 2025 destinou mais de R$ 513 milhões para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação na Paraíba, contra R$ 174 milhões no período de 2019 a 2022.
No fim, a lógica é simples: transformar capacidade de pesquisa em tecnologia que chega ao uso. E daí pra mim, que estou no Semiárido? Significa mais espaço para soluções que consideram o contexto local e podem virar prática, com manutenção e resultado na ponta.

