Saúde do trabalhador em Passos ganha cerco contra doenças que o emprego esconde
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 27 de agosto, às 14:00.

Quem tem carro sabe bem: fazer o alinhamento preventivo antes do pneu carecar é muito mais barato do que trocar a suspensão inteira na oficina. Na saúde pública, a lógica funciona exatamente do mesmo jeito.
Para evitar que o motor da força de trabalho local funda por esforço excessivo, profissionais de saúde da região de Passos se reuniram nos dias 27 e 28 de maio em um treinamento focado em prevenção. A oficina chamada “Vigilância em Saúde do Trabalhador: Construindo Saberes” reuniu equipes municipais para aprender a identificar os riscos invisíveis do expediente diário.
O evento aconteceu no auditório da Associação Pública dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (Ameg). A organização ficou por conta da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Passos, junto com a Diretoria de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (DVAST), ligada à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
A proposta central é ensinar os profissionais a diagnosticar e notificar precocemente as doenças ocupacionais (problemas de saúde causados pela atividade profissional do paciente). A região de Passos é a segunda do estado a receber a capacitação, que começou por Varginha.
De acordo com Cíntia Nunes, referência técnica do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), as equipes estudam casos reais com base na lista oficial de doenças do trabalho do Ministério da Saúde.
O que muda na prática
Quando os postos de saúde entendem a rotina de trabalho da população local, conseguem agir antes que o trabalhador precise se afastar das funções. O diagnóstico precoce funciona como aquela revisão mecânica de rotina, impedindo que pequenos desgastes virem sequelas graves para a vida toda.
Para coordenar essa nova abordagem, as equipes adotam ações estruturadas:
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Foco principal: Identificar, notificar e acompanhar doenças ligadas ao trabalho com agilidade.
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Alinhamento regional: Integração entre a atenção primária (o primeiro atendimento no posto de saúde do bairro) e o setor de epidemiologia.
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Mapeamento de campo: Analisar quais são as atividades econômicas mais comuns de cada cidade para prever os riscos específicos de cada trabalhador.
A superintendente interina da SRS Passos, Vanessa Aparecida de Assis, explica que discutir esse tema traz dignidade e fortalece o atendimento regional. Com a parceria da referência técnica em saúde do trabalhador, Emyli Chaves Cardoso, da coordenadora de vigilância epidemiológica, Márcia Aparecida Silva Viana, e do coordenador do Cerest Regional Passos, Rodrigo Sebastião, as cidades ganham um olhar renovado para proteger quem faz a economia girar. No fim do dia, o trabalhador volta para casa inteiro, e o sistema de saúde evita atendimentos de emergência evitáveis.
