Ansiedade na gestação: Materno-Infantil de Ilhéus aposta em pré-natal psicológico
Publicada em 27 de maio, 2026.
Atualizada em 20 de julho, às 10:00.

Gestante e puérperas com ansiedade e medo convivem com sintomas que aparecem no corpo e ganham força quando a rede de apoio falha. Foi com esse alerta que o Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio (HMIJS), em Ilhéus, abriu espaço para um projeto de acolhimento emocional durante a campanha Maio Furta-cor.
O ponto de partida veio de uma roda de conversa realizada nesta quarta-feira (27), no Ambulatório do HMIJS. A ação foi apresentada como parte do Maio Furta-cor, voltado ao bem-estar emocional de mães. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 1 em cada 5 mulheres enfrenta algum transtorno mental entre o início da gestação e o primeiro ano de vida do bebê, com a ansiedade como quadro mais comum e também o mais subnotificado.
Na conversa, a psicóloga Danielle Mattos explicou que ansiedade pode trazer efeitos profundos e reais, como taquicardia, tontura, tensão muscular e falta de ar. Ela também alertou que, quando não há uma rede de apoio, o risco de depressão perinatal aumenta. Ou seja, apoio não é “extra”; é parte do cuidado. “A presença do pai, do companheiro ou de um familiar é fundamental neste momento”, disse.
Para transformar esse cuidado em rotina, a equipe do hospital levou o tema para dentro do ambulatório. A psicóloga Fernanda Brandão desenvolveu um projeto de implementação do Pré-Natal Psicológico (PNP) no Ambulatório de Gestação de Alto Risco do HMIJS, integrando o acompanhamento às ações materno-infantis já existentes.
O que muda na prática
A ideia é bem direta: identificar sintomas de ansiedade e depressão perinatal nas pacientes atendidas pela instituição e reduzir o sofrimento emocional ligado ao alto risco. O plano também busca favorecer a adesão ao pré-natal e ao tratamento multiprofissional, fortalecer o vínculo mãe-bebê e preparar a gestante para o parto, para internação e até para a convivência com o ambiente da UTI Neonatal. A continuidade do acompanhamento pós-parto também entra como objetivo.
Pensa assim: é como colocar uma segunda rota no mapa quando o caminho principal está cheio de curvas. Se a gestação de alto risco já exige atenção, a saúde mental vira uma parte do trajeto que acompanha de perto, sem deixar o cuidado “para depois”.
- Público-alvo: pacientes atendidas no Ambulatório de Gestação de Alto Risco do HMIJS
- Foco: identificar sintomas de ansiedade e depressão perinatal
- Objetivo central: reduzir sofrimento emocional e apoiar adesão ao cuidado multiprofissional
- Quando começa: projeto passa a ser colocado em prática em junho
A iniciativa foi apresentada esta semana e terá apoio da Comissão de Humanização do hospital, além da participação de outros profissionais.
No acompanhamento do ambulatório, Jucima Gonçalves relatou conviver com ansiedade, medo e angústia. Com 32 semanas de gestação, ela contou que, após três abortos anteriores e sendo hipertensa e diabética, carrega lembranças traumáticas e interpreta mudanças do corpo como sinal de alerta. Segundo ela, o suporte da equipe tem sido fundamental para enfrentar a ansiosidade.
E daí pra mim, na prática: quando ansiedade e medo entram na consulta com nome e plano de cuidado, a gestação deixa de ser só “aguentar o que vem” e passa a ter acolhimento também para o que não aparece em exames.
