Inovação & Tecnologia

Eritrocitaférese no SUS no Pará: Hemopa amplia acesso e muda a rotina

Em meio à ampliação da eritrocitaférese no Pará, o Hemopa destaca o início do cuidado pelo Teste do Pezinho e abre espaço para avaliação de novos pacientes.

Publicada em 19 de junho, 2026.

Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Eritrocitaférese no SUS no Pará: Hemopa amplia acesso e muda a rotina
Foto: Raíssa Maciel – Ascom/HemopaSES Pará (SESPA)

A doença falciforme costuma chegar cedo e virar uma sequência de alertas na vida de quem acompanha: crises de dor, idas ao serviço de saúde e medo do que pode aparecer depois. No Pará, a Hemopa (Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará) passou a oferecer eritrocitaférese pelo SUS, apresentada como tecnologia inédita na Região Norte.

Na prática, imagine uma faxina de peças: num “kit” do sangue, o procedimento retira parte das hemácias alteradas (glóbulos vermelhos que estão comprometidos) e devolve hemácias saudáveis vindas de doadores de sangue. O objetivo é diminuir o peso das complicações, com foco em redução de crises de dor e menor risco de eventos associados às formas mais graves.

O anúncio foi feito no Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, em 19 de junho. O Hemopa também puxa o cuidado para antes dos problemas: a identificação começa pelo Teste do Pezinho, feito pelo SUS nos primeiros dias de vida. Assim, o acompanhamento pode ser iniciado cedo, quando os sinais ainda estão se formando.

A instituição acompanha cerca de 1.150 pacientes com doença falciforme no Pará. Desses, em torno de 250 têm formas graves e precisam de acompanhamento especializado para prevenção e controle das complicações.

A médica hematologista Saide Sarmento, coordenadora do Ambulatório Hematológico, destaca que sintomas podem aparecer na infância, com manifestações a partir de seis meses. Um dos riscos citados é o sequestro esplênico, que pode evoluir para choque e até morte se o tratamento não for rápido.

O que muda na prática

A eritrocitaférese é um procedimento automatizado. Segundo a especialista, ele ajuda a trocar hemoglobinas alteradas por hemoglobinas normais, mirando mais controle das crises e mais qualidade de vida. A expectativa mencionada inclui redução de crises de dor e diminuição do risco de AVC.

No momento, 16 pacientes atendidos pelo Hemopa estão aptos ao tratamento. A equipe multiprofissional segue avaliando novos casos. A indicação obedece a critérios clínicos, incluindo crianças a partir de 23 quilos e adultos.

  • Público-alvo: crianças a partir de 23 quilos e adultos com critérios clínicos
  • Efeito buscado: reduzir crises de dor e risco de AVC
  • Acesso agora: 16 pacientes aptos no momento
  • Como amplia: novas avaliações pela equipe multiprofissional

O presidente do Hemopa, Paulo Bezerra, afirma que a tecnologia amplia o acesso e ajuda a reduzir complicações, com foco em melhorar a qualidade de vida.

E não para por aí: na próxima terça-feira (23), o Hemopa promove o “Dia da Conscientização da Doença Falciforme: Precisamos Falar Sobre”, com informação, acolhimento e orientações sobre prevenção de complicações, tratamento e qualidade de vida.

Ou seja: quando a doença começa cedo e corrói rotina e segurança, oferecer uma alternativa como a eritrocitaférese pode fazer diferença concreta no dia a dia de quem depende do SUS.

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