Política & Gestão

Abuso infantil: como o Hospital de Araguaína prepara a rede para acolher vítimas

Treinamentos no Tocantins alinham protocolo de seis meses de acompanhamento para proteger crianças e adolescentes.

Publicada em 28 de maio, 2026.

Atualizada em 3 de setembro, às 16:01.

Abuso infantil: como o Hospital de Araguaína prepara a rede para acolher vítimas
Secretaria da Saúde - SAUDE-TO

Quando um caso de agressão física ou psicológica acontece, o atendimento de saúde precisa funcionar como uma rede de proteção de circo. Se um dos nós estiver frouxo, o equilibrista cai direto no chão. Para garantir que essa rede fique bem amarrada no atendimento a vítimas, o Hospital Regional de Araguaína (HRA) reuniu suas equipes para alinhar o protocolo de atendimento (o passo a passo padrão de como receber e encaminhar o paciente).

A iniciativa, coordenada pelo Serviço de Atenção a Pessoas em Situação de Violência (SAVI) e pelo Serviço Social, ocorreu nos dias 26 e 27 de maio. As palestras integraram a campanha nacional Maio Laranja, que combate o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes.

As ações dividiram-se em duas frentes. No primeiro dia, servidores e estagiários da ala psiquiátrica do hospital receberam o treinamento. No dia seguinte, a equipe levou o debate para uma unidade escolar, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

Segundo a psicóloga e coordenadora do SAVI/HRA, Regimara Martins, o alinhamento técnico e ético das equipes qualifica a assistência às vítimas. O objetivo principal é garantir um acolhimento humanizado e fazer as notificações de violência de forma ágil.

O que muda na prática

O acolhimento ganha rapidez e sensibilidade desde a porta de entrada do hospital. Os profissionais aprendem a ler os sinais de alerta de abuso e iniciam os procedimentos médicos imediatamente. Além disso, a rede pública garante que o suporte continue de forma contínua após o primeiro atendimento de emergência.

  • Acompanhamento mínimo: Prazo de seis meses de assistência ambulatorial (consultas agendadas sem necessidade de internação) para as vítimas de violência sexual, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde.
  • Público treinado: Servidores, estagiários do setor de psiquiatria e a comunidade escolar de Araguaína.
  • Conteúdo preventivo: Discussão sobre tipos de violência, sinais de sofrimento nas vítimas e canais de denúncia.

A conselheira do CMDCA, Lígia Cristina, relatou que os estudantes participaram ativamente fazendo perguntas sobre identificação de perigos. No final das contas, essa rede de proteção só funciona quando a saúde e a comunidade seguram as pontas juntas, garantindo que o cuidado chegue antes que o pior aconteça.

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