Geriatria acelera treino de médicos para cuidar do boom de idosos no Brasil
Publicada em 24 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Quem já tentou regular o carburador de um Opala antigo sabe que mexer em uma peça pode desajustar o motor inteiro. Cuidar da saúde na terceira idade exige essa mesma atenção integrada, pois uma pequena alteração reflete no corpo todo.
O país caminha para uma mudança histórica: até 2030, a população idosa vai superar o número de crianças de zero a 14 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Na prática, essa transformação exige que os serviços de saúde preparem profissionais prontos para atender pacientes complexos de forma coordenada.
Para encarar esse cenário, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) consolida uma trajetória de dez anos de sua residência médica em Geriatria, celebrada em 2023.
Assim como uma oficina de restauração junta especialistas para afinar cada detalhe da mecânica do carro, a equipe do HCFMB aposta na união de forças. O time reúne residentes da área e profissionais de várias especialidades (enfermeiro, fisioterapeuta, farmacêutico, nutricionista e psicólogo), além de clínicos gerais, estudantes do quinto ano e os professores Edison Iglesias e Paulo Villas Boas.
O atendimento começa logo na entrada do Pronto Socorro Referenciado (PSR) e acompanha o paciente até a internação, sem depender de uma ala exclusiva. O grupo traça o plano de cuidados junto com a família desde o início e dá suporte a outras áreas por meio de interconsultas (avaliações conjuntas pedidas por outros setores), auxiliando no tratamento de fraturas de fêmur e no controle de delirium (confusão mental súbita).
O que muda na prática
Com o avanço do programa, que nasceu como disciplina em 2004 e virou residência em 2013, o hospital hoje oferece quatro vagas anuais autorizadas pelo MEC.
- Público-alvo: Idosos dependentes com comorbidades (múltiplas doenças que ocorrem ao mesmo tempo), vulnerabilidade física ou social e que tomam muitos remédios.
- Modelo de cuidado: Integração de cuidados paliativos (terapias focadas no alívio de dor e sofrimento em doenças graves) em qualquer setor, inclusive no suporte ao fim da vida.
- Rede de assistência: Atendimento estendido para os ambulatórios de Rubião Jr e do Centro de Saúde Escola (CSE), com apoio da médica Drª. Daniela Veiga.
O objetivo principal, segundo o preceptor Dr. Rafael Thomazi, é capacitar médicos generalistas para combater o idadismo (preconceito contra a velhice). No fim das contas, aprender a cuidar de todas as engrenagens de um organismo maduro é o que vai garantir que o sistema de saúde esteja pronto para nos acolher quando o nosso próprio relógio avançar.
