Equidade no SUS: Piauí apresenta resultados de projeto que humaniza atendimento de saúde
Publicada em 18 de junho, 2026.
Atualizada em 23 de agosto, às 02:01.
Quando dividimos o carro da família com outras pessoas, a primeira coisa que fazemos ao entrar é ajustar os espelhos e o banco para conseguir dirigir com segurança. Na saúde pública, esse ajuste fino tem nome: equidade. É a garantia de que o sistema se adapta para atender cada paciente de acordo com a sua realidade, sem deixar ninguém invisível.
Nesta quarta-feira (17), o Piauí apresentou os resultados do projeto que passou os últimos dois anos fazendo exatamente essa regulagem no atendimento público. A Jornada de Resultados do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde Equidade) aconteceu no Ambulatório Azul (Ambulatório Integrado Governador Dirceu Mendes Arcoverde).
A iniciativa é do Ministério da Saúde, realizada em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) e a Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Durante o ciclo de 2024-2026, o foco foi treinar quem atende na ponta para lidar com as diferenças de gênero, raça, sexualidade e inclusão de pessoas com deficiência.
Durante 24 meses, estudantes, preceptores (profissionais de saúde que orientam alunos na prática) e servidores do Hospital Getúlio Vargas (HGV) realizaram capacitações e campanhas.
As principais ações desenvolvidas foram:
- Fórum de Monitoramento: focado no protocolo de dados e no combate à violência contra a população LGBTQIAPN+.
- Outubro Rosa pra Quem tem Mama: campanha inclusiva de conscientização sobre o câncer de mama.
- Setembro Amarelo: ações integradas voltadas para o cuidado com a saúde mental.
Segundo Gisela Serafim, coordenadora do grupo no Ambulatório Azul, o programa quebrou tabus e aproximou a equipe de leis e políticas públicas, o que humaniza o atendimento.
O que muda na prática
Na prática, o paciente que historicamente enfrenta barreiras para se tratar passa a encontrar um ambiente mais acolhedor e livre de preconceitos nos hospitais públicos do Piauí. Para os trabalhadores da rede pública — que em sua maioria são mulheres —, o projeto ajuda a enfrentar a violência de gênero no cotidiano de trabalho. O ponto-chave é que, ao regular os espelhos do SUS, o atendimento passa a enxergar todo mundo com a mesma dignidade. Como destacou Filipe Silva, coordenador da Sesapi, valorizar quem cuida é o primeiro passo para fortalecer a saúde de quem precisa.

