Monitoramento da Amazônia: Lagos Sentinelas ganha 5 novas áreas para observar
Publicada em 17 de junho, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.
Se você depende de lago para viver, seca forte não chega só pela televisão: ela muda a cor da água, a quantidade de peixe e a forma como o dia acontece. Por isso, o projeto Lagos Sentinelas da Amazônia está ampliando onde monitora os impactos climáticos.
O avanço vai para cinco lagos que passam a ter acompanhamento mais detalhado. Agora são quatro lagos no Amazonas (AM) e um no Pará (PA), com medições de temperatura e umidade do ar, oxigênio dissolvido, direção e velocidade do vento, radiação solar e quantidade de chuva colhida.
A coordenação é do Instituto Mamirauá, organização social ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O projeto começou a ser desenvolvido desde 2025, com o envolvimento de 69 pesquisadores e mais de 200 pessoas que vivem nas áreas monitoradas.
Pensa num termômetro dentro de casa, daqueles que avisam antes do problema virar caos: quando a temperatura foge do padrão, você já sabe que algo está diferente. No caso dos lagos, a ideia é semelhante, só que o “termômetro” é um conjunto de medições para entender como eventos extremos mexem no ambiente.
O ponto de partida dessa ampliação tem relação com o que já foi observado recentemente. O pesquisador Ayan Fleischmann, do Instituto Mamirauá, relata que houve episódios “sem precedentes” para lagos amazônicos, especialmente com secas extremas. Ele cita o Lago de Tefé, que em 2023 atingiu mais de 40ºC, associado a mortandade de peixes e de outros animais aquáticos, como botos.
No Lago de Tefé, Ediney Gonçalves Marinho, presidente da Comunidade São Raimundo de Cima, descreveu a estiagem como mais severa do que em anos anteriores. Com o lago secando, ele relatou peixes morrendo e dificuldades para famílias manterem a produção e o deslocamento.
O que muda na prática
A proposta do Lagos Sentinelas não fica apenas no laboratório ou na coleta de dados. As informações são discutidas junto com a comunidade, em um processo que envolve diagnósticos socioambientais feitos com participação local.
Entre outubro de 2025 e março de 2026, o projeto realizou oficinas de diagnóstico participativo nos cinco lagos monitorados, reunindo representantes de 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais. Nesses encontros, os moradores construíram documentos com demandas e propostas direcionadas à elaboração de novas políticas públicas e a ações futuras do projeto.
Depois dessas etapas, a meta é que os chamados “sentinelas” passem a integrar o monitoramento junto aos pesquisadores, com atuação prevista para começar em 2027.
- Medições: temperatura, umidade, oxigênio dissolvido, vento, radiação solar e chuva colhida
- Participação: mais de 200 pessoas e oficinas com 52 comunidades
- Base da ação: chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia
- Atuação comunitária: sentinelas em 2027
Ou seja: com mais lagos no radar e com a comunidade ajudando a acompanhar os sinais, a observação tende a virar orientação. E daí pra mim: quando secas e outros eventos extremos chegam na ponta do cotidiano, fazer a leitura do que está acontecendo mais perto do terreno pode mudar o caminho das decisões.

