Hanseníase no Paraná acende alerta com centenas de pessoas em tratamento
Publicada em 26 de maio, 2026.
Atualizada em 10 de setembro, às 16:01.

Sabe quando a luz de alerta do motor acende no painel do carro e você decide ignorar porque o veículo continua andando? Na prática, adiar a visita à oficina só deixa o conserto mais caro e complexo depois. Tratar a hanseníase (doença infecciosa crônica causada por bactéria que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos) funciona de forma parecida: quanto antes você descobre, mais fácil é evitar sequelas permanentes.
Para debater esses gargalos, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) promoveu o IV Simpósio de Hansenologia do Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSPR), em Curitiba. O evento reuniu especialistas para traçar novas rotas contra a doença e celebrar a história do hospital de dermatologia sanitária, que iniciou sua jornada em 1926 cuidando de pacientes acometidos pela enfermidade.
O cenário exige atenção rápida. O Brasil ocupa a liderança mundial em incidência da doença e o segundo lugar em número absoluto de casos, atrás apenas da Índia. No Paraná, os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram que o problema está ativo: apenas em 2025, o estado diagnosticou 421 novos casos. Atualmente, somando quem contraiu a infecção nos últimos três anos, 820 pessoas estão em tratamento ativo nas redes de saúde paranaenses.
Durante o evento, a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, apresentou o Plano Estratégico de Enfrentamento à Hanseníase no Paraná 2025-2030. O objetivo é preparar melhor as equipes para identificar os sintomas logo de início e combater o preconceito histórico que cerca a doença.
O que muda na prática
Com as novas diretrizes estaduais apresentadas no simpósio, o foco se divide em ações diretas:
- Atendimento de referência: O HDSPR, localizado em Piraquara sob gestão da Funeas (Fundação Estatal de Atenção em Saúde), segue como o grande porto seguro para casos complexos e reabilitação física.
- Prevenção ativa: As equipes de saúde recebem reforço em treinamentos de teleconsultoria e avaliação de contatos próximos de quem já foi diagnosticado.
- Suporte integral: O cuidado vai além do tratamento médico clássico, incluindo suporte psicológico e ações focadas na atenção primária.
A hanseníase tem cura e o tratamento é inteiramente gratuito. O ponto-chave é não ignorar aquela mancha sem sensibilidade na pele. Afinal, cuidar da saúde logo no primeiro sinal evita que uma falha simples no caminho vire um problema definitivo.
