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Hantavirose e Clima: como o aquecimento global aumenta o risco de surtos

Um evento da Fiocruz discutiu como as mudanças climáticas, com eventos extremos como El Niño, podem intensificar a circulação de hantavírus e o risco de transmissão para humanos.

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Publicada em 18 de junho, 2026.

Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Hantavirose e Clima: como o aquecimento global aumenta o risco de surtos
Agência Fiocruz de NotíciasFiocruz

Você já ouviu falar de hantavirose? Um surto recente em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina acendeu um alerta sobre essa doença. Especialistas da Fiocruz se reuniram para discutir o tema, e um ponto chamou a atenção: o impacto das mudanças climáticas na forma como o vírus se espalha.

Pense no hantavírus como aquele vizinho que só aparece quando as condições estão perfeitas. E adivinha quem está deixando essas condições mais favoráveis? O clima.

Segundo a chefe do Laboratório de Hantaviroses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Renata Oliveira, a relação entre eventos climáticos e o aumento de casos não é nova. Lá nos anos 90, um El Niño causou chuvas intensas nos EUA, o que fez a população de roedores (os portadores do vírus) explodir. Na época, o vírus era conhecido por causar uma doença na Europa, Ásia e África, mas nos EUA surgiu uma nova forma, a síndrome pulmonar por hantavírus, bem mais perigosa.

E o El Niño está de volta, o que preocupa os cientistas. A médica infectologista Clarisse Vianna, da Bio-Manguinhos/Fiocruz, explica que o aquecimento global e os eventos extremos, como secas e chuvas fortes, fazem os roedores saírem de suas tocas em busca de comida. Isso, na prática, coloca eles mais perto da gente.

"As mudanças climáticas não criam o vírus, mas aumentam a chance de encontrarmos mais roedores e, consequentemente, aumentam o risco de transmissão para nós", diz Vianna. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já colocou o hantavírus na lista de patógenos que podem causar novas pandemias, e o surto no navio só reforçou isso. O problema é que ainda não temos vacinas ou tratamentos específicos, embora pesquisas estejam em andamento.

A vigilância é o foco agora

Como a doença não é tão comum, desenvolver uma vacina é um desafio. No Brasil, os casos geralmente acontecem em áreas rurais. Mas tem uma boa notícia: no final de 2025, a Anvisa aprovou um teste rápido para hantavirose, criado pela Fiocruz em parceria com a UFRJ. Ele detecta a doença em até 20 minutos com uma gota de sangue. Isso ajuda a diagnosticar mais rápido e a monitorar a situação, principalmente em lugares mais afastados.

Para entender melhor:

  • Gravidade: As doenças causadas pelo hantavírus são sérias, com alta letalidade no caso da síndrome pulmonar, comum nas Américas.
  • Diagnóstico: O atraso no diagnóstico é um problema porque os sintomas iniciais (febre, tosse, dor de cabeça) são parecidos com os de outras viroses.
  • Transmissão: A forma mais comum de pegar o vírus é pelo contato com a urina, saliva ou fezes de roedores infectados, principalmente inalando partículas no ar. A transmissão entre pessoas é rara.

Ou seja, o clima esquentando pode ser um convite para o hantavírus circular mais e chegar mais perto de nós. Ficar de olho nos roedores e nas condições climáticas é fundamental para evitar novos surtos.

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