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Automedicação: SES-SP registra 3,5 mil internações e o alerta cresce

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) registrou, no ano passado, **3.522 internações** envolvendo uso incorreto de medicamentos em 2022 e reforçou o alerta contra a automedicação, destacando os riscos diretos para pacientes.

Publicada em 24 de maio, 2026.

Atualizada em 10 de julho, às 10:00.

Automedicação: SES-SP registra 3,5 mil internações e o alerta cresce
SES São Paulo

Se você já tomou um remédio por conta própria porque “parece que resolve”, vale parar pra olhar o tamanho do estrago. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) registrou 3.522 internações em 2022 envolvendo uso incorreto de medicamentos.

Na prática, automedicação costuma virar um efeito dominó: a combinação errada de remédios pode causar interação entre medicamentos (quando um interfere no efeito do outro), aumentar o risco de intoxicação, levar à ineficácia do tratamento e ainda provocar reações alérgicas. Também pode atrasar o diagnóstico de uma doença e, em alguns casos, empurrar bactérias para resistência — especialmente quando antibióticos são usados sem o tempo adequado.

Pensa como quando você tenta “consertar” uma torneira com a chave errada e força no improviso: até pode funcionar por alguns minutos, mas o estrago costuma aparecer depois, com custo maior e mais dificuldade de resolver.

Para além do “remédio certo”, a SES-SP reforça um ponto que muita gente esquece: atenção à dosagem indicada (a quantidade do medicamento). Sem isso, o tratamento perde efetividade e pode abrir espaço para complicações.

O médico Sérgio Pulzi, Gerente Executivo Hospitalar Corporativo do Seconci-SP (OSS), resumiu assim: buscar orientação de profissionais habilitados, seguir prescrição, manter acompanhamento durante o tratamento e procurar ajuda especializada em caso de dúvidas ou efeitos indesejados.

O que muda na prática

Na prática, o risco não está só em “tomar o remédio errado”, mas também em usar do jeito errado. O texto da SES-SP alerta para três efeitos bem concretos:

  • Interrupção do tratamento: parar antes do período recomendado pode comprometer o sucesso e piorar o quadro, além de abrir caminho para outros problemas.
  • Antibióticos por tempo incorreto: o uso inadequado pode favorecer resistência e dificultar o tratamento de infecções futuras.
  • Anti-inflamatórios em excesso: o consumo acima do indicado pode causar problemas como parada do funcionamento dos rins, com necessidade de tratamento dialítico.

Dependência também entra na conta

A SES-SP lembra que existe medicamento que, quando usado de forma incorreta, pode levar à dependência. Ela pode aparecer por tolerância (precisar de doses maiores para sentir o mesmo efeito) e por abstinência (quando a falta gera sensação física ou psicológica de necessidade).

De acordo com o alerta, esse tipo de risco é mais comum com remédios ligados à saúde mental e com analgésicos. Os desdobramentos mais relevantes citados são intoxicação, falência de órgãos, overdose e, em casos extremamente graves, morte.

Ou seja: se automedicar parece um atalho, mas pode virar um desvio caro demais. E daí pra mim? Significa checar prescrição, respeitar dose e tempo de tratamento, e não tratar o corpo como teste.

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