Foguete brasileiro a etanol passa por teste inédito para evitar explosões
Publicada em 27 de maio, 2026.
Atualizada em 1 de julho, às 10:09.

Imagine colocar um carro para subir a Serra do Mar sem antes passar na oficina para regular o motor no dinamômetro. A chance de o motor estourar no meio do caminho é gigantesca. No setor aeroespacial o risco é o mesmo, mas cientistas brasileiros acabam de inaugurar a "oficina" definitiva para evitar que nossos foguetes falhem no ar.
No dia 1º de maio, pesquisadores testaram com sucesso um motor de foguete nacional de 8 kN (kilonewtons, unidade usada para medir a força de empuxo) na nova estrutura de testes da Universidade de Brasília (UnB), no campus do Gama. O teste marcou o comissionamento (processo de validação inicial para testar o funcionamento e a vedação de sistemas em solo) do espaço.
A peça testada foi desenvolvida pela DeltaV Engenharia Espacial. Com o projeto, a startup se tornou a primeira empresa privada do país a fabricar um propulsor de tecnologia líquida (sistema complexo que controla a queima do combustível durante o funcionamento) dessa categoria. O desenvolvimento teve apoio financeiro da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) com recursos do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), sob supervisão do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) e da AEB (Agência Espacial Brasileira).
A nova estrutura da UnB, coordenada pelo professor Olexiy Shynkarenko em parceria com o Chemical Propulsion Laboratory (CPL), funciona exatamente como esse dinamômetro de oficina espacial. A partir de agora, o laboratório consegue avaliar motores de até 25 kN antes que eles saiam do chão, servindo de base para o Foguete de Treinamento a Propelente Líquido.
O que muda na prática
Na prática, o Brasil passa a ter autonomia para testar sua própria tecnologia antes de tentar ganhar a órbita. Os principais impactos do avanço são:
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Segurança reforçada: Garante que a estrutura térmica e a vedação aguentem a pressão extrema antes do lançamento.
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Mão de obra qualificada: Cria um campo de treinamento prático para preparar engenheiros e cientistas no país.
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Novas oportunidades: Facilita o uso de motores movidos a etanol e oxigênio líquido em foguetes de sondagem e veículos lançadores de pequeno porte.
No fim das contas, a nova estrutura ajuda a poupar dinheiro público e protege o investimento brasileiro ao simular os testes em terra. É a garantia de que, quando o foguete finalmente subir, o motor já estará totalmente regulado para a viagem.
