Parkinson no SUS-SP: 66,9 mil atendimentos em 2022 e o que muda agora
Publicada em 24 de maio, 2026.
Atualizada em 10 de julho, às 12:01.

Se você tem parente ou convive com alguém com Parkinson, vale prestar atenção num número que aparece na rotina das unidades de saúde: em 2022, a rede SUS de São Paulo registrou 66,9 mil atendimentos a pessoas com Doença de Parkinson.
Esses dados foram levantados pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e incluem diagnóstico e procedimentos clínicos e cirúrgicos feitos no âmbito ambulatorial e hospitalar.
O momento também importa. Em abril, mês da Tulipa Vermelha, a campanha reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento com equipe multidisciplinar (profissionais de diferentes áreas trabalhando juntos). Na prática, a ideia é acompanhar o que a pessoa está sentindo e ajustar o cuidado com mais rapidez.
Para explicar o que isso significa no corpo, o neurologista do Hospital Regional de Presidente Prudente, Guilherme Menezes Mescolotte, descreveu a evolução do Parkinson como um caminho pelo sistema nervoso. O quadro, segundo ele, envolve uma neurodegeneração (perda progressiva de células) que começa no sistema nervoso periférico e avança para o sistema nervoso central, na região dos núcleos da base.
E aí entra uma analogia bem do cotidiano: imagine a coordenação dos movimentos como uma fita que precisa rodar no tempo certo. Quando falta dopamina (um neurotransmissor), o “ritmo” do controle automático do corpo se desorganiza. É por isso que atividades simples, como caminhar, podem ficar mais difíceis conforme a doença progride.
Os sintomas citados pelo médico incluem lentidão dos movimentos, tremor, quedas frequentes e rigidez muscular. O diagnóstico clínico parte da observação desses sinais e, para descartar outras condições, pode envolver exames como tomografia ou ressonância.
O que muda na prática
O tratamento apresentado busca aumentar o efeito da dopamina com medicamentos. Só que o cuidado não para no remédio: o acompanhamento inclui fisioterapia e reabilitação, além de atividades físicas e hábitos saudáveis para ajudar a manter qualidade de vida.
Quando o quadro não é controlado, o médico mencionou a possibilidade de cirurgia para estimular partes dos núcleos da base, geralmente após alguns anos do início dos sintomas.
E tem um alerta clínico importante: ele citou o parkinsonismo atípico, quando outras doenças na mesma região do corpo podem dar sintomas parecidos, mas com diagnóstico diferente. Entre os exemplos, foram citadas Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP) e Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS). Nesses casos, mesmo com resposta menos favorável ao tratamento convencional, o acompanhamento multidisciplinar e práticas como atividades físicas seguem como base para o cuidado.
- Rótulo: Fato-chave: 66,9 mil atendimentos no SUS estadual em 2022
- Rótulo: Abrangência: diagnóstico e procedimentos clínicos e cirúrgicos
- Rótulo: Tratamento: medicamentos para agir sobre a dopamina e apoio com fisioterapia/reabilitação
- Rótulo: Se não estabilizar: cirurgia pode ser indicada após alguns anos
Ou seja: se o Parkinson aparece em escala dentro do SUS, a conversa deixa de ser só sobre sintomas e vira rotina de rede e de paciente. O recado é identificar cedo, acompanhar de perto e ajustar o cuidado ao que o corpo está mostrando agora.
