Política & Gestão

Fiocruz lidera com selo de igualdade de gênero e raça no trabalho

Nova certificação nacional mostra que a diferença salarial entre homens e mulheres cai para 15,4% em instituições comprometidas com a diversidade.

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Publicada em 27 de maio, 2026.

Atualizada em 9 de setembro, às 08:00.

Fiocruz lidera com selo de igualdade de gênero e raça no trabalho
A certificação foi concedida a mais de 80 organizações, que se destacaram por ações de promoção da diversidade e da igualdade (foto: Biancka Fernandes)

Sabe quando um condomínio decide fazer uma reforma para que todos os moradores tenham o mesmo espaço e as mesmas regras de convivência? É esse tipo de mutirão que a Fiocruz e mais de 80 organizações decidiram assumir no ambiente de trabalho.

Na segunda-feira (25), a fundação recebeu o selo da 7ª edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, em cerimônia em Brasília. O prêmio reconhece ações práticas para criar um ambiente de trabalho livre de discriminação. A iniciativa é da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, em parceria com os ministérios da Igualdade Racial e do Trabalho e Emprego, além da ONU Mulheres e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A necessidade desse ajuste de regras fica clara nos dados do país. Mesmo com a Lei da Igualdade Salarial entre Mulheres e Homens (14.611/2023), as brasileiras ainda ganham 21,3% a menos do que os homens.

Nas empresas certificadas pelo programa, porém, essa diferença cai para 15,4%. Ou seja, a desigualdade de salários diminui 26,2% em comparação com a média nacional, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

Para a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, o combate ao racismo estrutural precisa andar junto com o de gênero. Pessoas negras representam 56% da população e mulheres negras são 28%, mas ainda ocupam poucos espaços de chefia no Brasil.

Com mais de 14 mil profissionais, a Fiocruz começou a organizar seu próprio espaço em 2009, ao criar o seu Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça. Em 2023, o grupo lançou a Política de Equidade Étnico-Racial e de Gênero da Fiocruz e, no mesmo ano, a presidência abriu a Cedipa (Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas), hoje liderada por Hilda Gomes.

Representantes como Luciana Lindenmeyer e a trabalhadora trans Biancka Fernandes, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), apontam que o selo coroa um esforço coletivo e abre espaço real para travestis e mulheres trans na ciência brasileira. O compromisso foi renovado para os próximos anos no X Congresso Interno da Fiocruz, em 2025.

O que muda na prática

  • Redução da disparidade: A diferença de rendimentos entre homens e mulheres cai para 15,4% em locais certificados.
  • Inclusão trans na ciência: Abertura e acolhimento concreto para mulheres trans em cargos institucionais e científicos.
  • Políticas consolidadas: Atuação da Cedipa e do comitê interno para barrar o racismo estrutural e o capacitismo no cotidiano de trabalho.

O que muda é que, ao consolidar essas regras em seu próprio estatuto de convivência, a instituição mostra que uma casa organizada funciona muito melhor para todo mundo.

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