Diabetes gestacional na gravidez: por que quase 15% atendidas na MNSL importa
Publicada em 26 de junho, 2026.
Atualizada em 14 de julho, às 02:00.
No Dia Nacional do Diabetes, 26, vale lembrar de um ponto bem direto: diabetes gestacional costuma ser silencioso e só aparece com exames no pré-natal. Ou seja, é como descobrir mofo dentro da parede antes de ele virar um estrago grande: quanto mais cedo você mede, mais cedo controla.
Na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), referência estadual para partos de alto risco, cerca de 15% das pacientes atendidas têm diabetes gestacional. Segundo a gerente da Admissão da MNSL, Angélica Aragão, de janeiro a maio deste ano foram atendidas 5.462 gestantes no setor de Admissão; 812 apresentaram diabetes gestacional, o que representa quase 15% do total.
“O diabetes gestacional é o segundo diagnóstico de maior incidência nos atendimentos da maternidade, sendo o primeiro as síndromes hipertensivas”, disse Aragão.
A descoberta de Larissa Gabrielly Borges, de Laranjeiras, ajuda a traduzir o que isso significa na vida real. Ela descobriu diabetes gestacional durante a gravidez de Ayanna Gabrielly, fez pré-natal de risco no Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) e foi encaminhada à MNSL para o parto. Larissa conta que nunca teve diabetes antes, mas na gestação o diagnóstico veio, o tratamento começou e ela teve a filha com 38 semanas; a bebê nasceu com 4,2 kg. “Agora as minhas taxas estão todas normais”, afirmou.
A ginecologista e obstetra da MNSL, Glícia Ramos, explica que diabetes gestacional é uma alteração no metabolismo da glicose diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez. Nessa condição, o organismo não consegue produzir insulina suficiente para a demanda da gestação, elevando a glicose no sangue.
“É uma das complicações metabólicas mais comuns da gravidez e, quando não diagnosticada e tratada adequadamente, pode trazer riscos sérios tanto para a mãe quanto para o bebê. O ponto-chave é que o pré-natal adequado é a única forma de rastrear, diagnosticar e tratar dentro do tempo certo”, afirmou.
O que muda na prática
Na prática, o manejo começa por mudanças no estilo de vida, com orientação nutricional individualizada e incentivo à atividade física regular. A médica afirma que a maioria das mulheres consegue controlar a glicemia apenas com essas medidas. Quando não é suficiente, o tratamento medicamentoso entra: a insulina é a primeira escolha na gestação, por ser segura e eficaz; em alguns casos, a metformina pode ser usada.
O controle glicêmico é acompanhado com medições regulares: em jejum, abaixo de 95 mg/dL, e uma hora após as refeições, abaixo de 140 mg/dL. Caminhadas de 30 minutos após as refeições, segundo Glícia, ajudam de forma comprovada no controle.
- Risco silencioso: a maioria das mulheres não sente sintomas e precisa de rastreamento no pré-natal
- Controle na rotina: metas de glicose em jejum e após refeições orientam o tratamento
- Quando precisa de remédio: dieta e exercício podem ser insuficientes; insulina costuma ser a opção na gestação
- Reavaliação após o parto: o diagnóstico de resolução é confirmado com exame entre 6 e 12 semanas
Ou seja, é por isso que “e daí pra mim?” vira decisão: fazer os exames e manter as consultas de pré-natal é o que evita que o problema passe despercebido e vira segurança para mãe e bebê.

