Acidentes de trânsito em Altamira superam dois casos diários e acendem alerta na Transamazônica
Publicada em 28 de maio, 2026.
Atualizada em 5 de setembro, às 04:02.

Dirigir pelas ruas de Altamira ou cruzar a Transamazônica tem parecido uma rodada interminável de carrinho de bate-bate de parque de diversões. O problema é que, fora dos parques, os veículos não contam com proteção de borracha, e o impacto direto sobra para o corpo humano e para o bolso do cidadão.
Entre 1º de janeiro e 25 de maio, o trânsito do maior município do Brasil registrou 313 acidentes, o que representa uma média superior a duas ocorrências diárias (cerca de 70 colisões por mês). Apenas no trecho da rodovia federal BR-230, foram 41 acidentes, sendo 16 ocorrências graves e 6 mortes acumuladas nos primeiros cinco meses de 2026.
Nessa pista de bate-bate da vida real, quem acaba amortecendo os choques é o Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT). A unidade de média e alta complexidade funciona como a principal porta de entrada para pacientes com fraturas múltiplas (quando o osso se quebra em vários pedaços) na região.
Os números da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) repercutiram durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat), que começou na segunda-feira, 25 de maio.
O inspetor da PRF, Jailson Alves, explicou que o excesso de velocidade continua sendo o principal vilão das colisões. Reduzir a aceleração funciona como desacelerar o brinquedo antes do impacto: aumenta o tempo de reação, amplia a visão periférica e evita capotamentos, batidas e atropelamentos.
A preocupação alcança também os chamados acidentes de trajeto (aqueles que ocorrem no percurso de ida ou volta entre a residência e o trabalho), conforme explicou Keilane Alves, integrante da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa).
O que muda na prática
Para quem vive na região, o impacto dessas colisões se traduz em superlotação hospitalar e custos bilionários. O HRPT revela que internações de gravidade severa, cirurgias de fraturas expostas (quando o osso rompe a pele) e casos de traumatismo craniano representam 60% de todas as demandas do Pronto Atendimento e do Centro Cirúrgico.
No cenário nacional, a conta desse impacto é gigante: o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou mais de R$ 3,008 bilhões na última década apenas para tratar procedimentos resultantes de acidentes de trânsito.
Para tentar frear esses dados e mudar o comportamento dos motoristas, as instituições organizam as seguintes ações:
- Blitz educativa: Parceria entre o hospital e o Demutran, com nova ação marcada para a sexta-feira, 29 de maio.
- Palestras de conscientização: Discussão de medidas preventivas com funcionários, integrando as atividades do Maio Amarelo (campanha nacional de conscientização e combate a acidentes).
- Prevenção ativa: Estímulo constante a práticas seguras por parte dos colaboradores do hospital, como destacou o funcionário Gustavo Santos do Nascimento.
O ponto-chave é que a segurança viária não depende apenas de fiscalização, mas sim de tirar o pé do acelerador. No fim do dia, a Transamazônica não pode ser tratada como pista de brinquedo, e a prevenção é o único cinto de segurança capaz de evitar que o seu destino final seja uma mesa de cirurgia.
