Core Saúde MG: governo compara sistema novo e antigo na CIB
Publicada em 19 de junho, 2026.
Atualizada em 18 de julho, às 08:00.

Se a regulação da saúde fosse uma estrada, a Core Saúde MG seria o novo “sinal aberto” para organizar o fluxo de internações e transferências. Foi exatamente isso que a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (Cosems-MG) apresentaram na 330ª Reunião Ordinária da CIB-SUS/MG, nesta quarta-feira (17/6).
A pauta puxou dois pontos: avanços na organização da rede assistencial e as pactuações para ampliar serviços. No centro, veio o relato do momento de transição do sistema anterior para a nova plataforma de Gestão em Regulação estadual.
A secretária de Estado Adjunta de Saúde, Poliana Cardoso Lopes, resumiu o trabalho como uma etapa de ajustes e melhoria contínua. Ela citou “quase quatro anos de construção de plano de ação, planejamento e gestão de risco” e disse que os números da Core dão confiança para “otimizar as transferências para salvar mais vidas”.
Na apresentação dos indicadores, o subsecretário de Acesso a Serviços de Saúde da SES-MG, Renan Guimarães de Oliveira, comparou a Core com o SUSFácil, sistema usado anteriormente.
A Core, segundo ele, tem 40 médicos em momentos de pico e equipe de enfermagem. Em um mês de funcionamento, foram realizadas 45.871 internações, incluindo as centrais municipais. O tempo médio para internação ficou em 14 horas e 11 minutos, com 1.365 óbitos.
No SUSFácil, os dados citados foram 49.229 internações, 16 horas e 45 minutos de tempo médio e 2.821 óbitos. A leitura apresentada pelos gestores foi de que a Core estaria operando de modo “produtivo e seguro”.
O que muda na prática
Na hora do paciente e do serviço, a mensagem é a mesma: reorganizar fluxo e acesso para reduzir gargalos e melhorar o andamento das internações.
Além do balanço do sistema, a reunião trouxe estratégias para ampliar o acesso em Minas, citando o projeto Filhos de Minas, o Miguilim e o Plano de Enfrentamento da Mortalidade Materna e Infantil.
As pactuações também foram bem diretas, com impacto em oferta de serviços.
- Hospitais de AVC: referências em urgência em Ponte Nova (Arnaldo Gavazza Filho) e Taiobeiras (Santo Antônio)
- Saúde do trabalhador: implantação de Cerest Regional em Diamantina, atendendo municípios da área de abrangência e usando R$ 260 mil previstos via Programa VigiMinas (2027)
- Especialidades em novas regiões: expansão da Carreta de Especialidades para Norte, Nordeste e Jequitinhonha, com 147 municípios interessados
- Estratégia de acesso: foco em reduzir dificuldades de acesso a consultas especializadas
Na fala do presidente do Cosems-MG, Edivaldo Farias da Silva Filho, a Carreta foi apresentada como caminho para territórios com demandas reprimidas. Ele citou relatos de pessoas que aguardavam “cerca de três anos” na fila por consulta com médico especialista e conseguiram atendimento graças ao serviço.
Ou seja: no papel, é regulação e pactuação; no fim, é a fila mexendo de lugar para chegar mais rápido onde o atendimento precisa acontecer.
