Colesterol alto no SUS-SP: atendimentos sobem 41% e o risco aperta
Publicada em 24 de maio, 2026.
Atualizada em 11 de julho, às 18:00.

Colesterol alto é aquela bagunça que vai ficando na corrente do sangue como poeira na gaveta: quando aparecem os sinais de alerta, o caminho até controlar costuma ser mais longo. O ponto principal é direto: na rede pública de São Paulo, os casos acompanhados no SUS com colesterol alto aumentaram 41% em jan–mai.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) mostrou esse movimento. De janeiro a maio deste ano, foram 827 atendimentos ambulatoriais no SUS (Sistema Único de Saúde) por colesterol alto. No mesmo período de 2023, foram 586. O crescimento foi de 41%.
Esse alerta também aparece no lado da medicação. No ano passado, foram dispensados 41.465.940 comprimidos para tratamento de hipercolesterolemia (colesterol elevado).
O que torna essa situação ainda mais importante é que ela costuma ser silenciosa. A detecção acontece em exames de sangue, porque a doença não apresenta sintomas, mesmo quando os níveis fogem do equilíbrio.
Na prática do corpo, o colesterol não é vilão por si só. Ele participa da formação de hormônios como testosterona e estrogênio e também de ácidos biliares, ligados à digestão da gordura dos alimentos. O problema está principalmente no tipo que tende a subir: o LDL (“colesterol ruim”). Em níveis altos, ele pode favorecer alterações no sistema vascular (vasos sanguíneos), elevando a chance de eventos como AVC, demência, derrame cerebral e infarto.
Segundo o cardiologista Carlos Eduardo Vilhena Favato, do Hospital Geral de Itapecerica da Serra (HGIS), o aumento do LDL se relaciona a hábitos como alimentação rica em gorduras saturadas, excesso de peso, diabetes, tabagismo, sedentarismo e estresse. Ele também lembra que a genética pesa, então quem tem predisposição hereditária precisa de acompanhamento mais atento.
Ou seja, o que muda é o rumo: colesterol alto pode ser revertido com ajustes no estilo de vida que incluem dieta e exercício, e, em alguns casos, com medicação, sempre com acompanhamento.
O que muda na prática
- Acompanhamento no SUS: quem tem colesterol alto e faz seguimento no estado teve 827 atendimentos em jan–mai e aumento de 41% vs. 2023.
- Prevenção do risco cardiovascular: controlar ajuda a reduzir o caminho para complicações associadas ao LDL e a eventos como AVC e infarto.
- Trocas na alimentação: reduzir gorduras como a de margarina e cortar industrializados, salgadinhos e frituras.
- Rotina que ajuda: priorizar frutas, vegetais e fibras (como aveia, grão de bico e maçã), além de carnes magras (frango e peixe), limitando itens como queijos amarelos, embutidos, açúcar e carnes vermelhas.
E daí pra mim? Se você faz exames, acompanha quando indicado e ajusta a alimentação e o corpo, esse acúmulo tem menos chance de virar um problema maior no caminho da saúde.
