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Pyroantarticum pellizari: arqueia antártica resiste ao frio e ao calor extremos

A publicação em *ISME Communications* usa o genoma com genes de proteção contra estresse térmico para orientar a tentativa de isolar *Pyroantarticum pellizari*.

Publicada em 1 de junho, 2026.

Atualizada em 28 de junho, às 16:05.

Pyroantarticum pellizari: arqueia antártica resiste ao frio e ao calor extremos
AGÊNCIA FAPESP

Se a sua casa tem lugares que fazem frio e calor “na mesma hora”, você já entendeu o problema. Na Antártida, essa oscilação fica ainda mais intensa e cobra uma conta alta das células. No caso da arqueia Pyroantarticum pellizari, o que sustenta a espécie é o genoma, com alta capacidade de adaptação a variações extremas de temperatura.

O estudo situa a origem do achado na ilha Decepción, onde existe uma caldeira inundada por água do oceano antártico. É nesse vai e vem térmico que entra o efeito da atividade vulcânica: regiões frias ficam próximas de pontos bem quentes, porque a liberação de compostos químicos pode desestruturar moléculas essenciais para o funcionamento celular.

Foi nesse cenário que pesquisadores do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) identificaram uma linhagem ainda não conhecida, a partir de reconstrução de genomas. O trabalho descreve genes ligados a proteínas que atuam como proteção quando o organismo enfrenta estresse térmico (condição em que o calor ameaça a estrutura das moléculas). Ou seja, existe um “freio de mão” molecular que ajuda a manter o DNA estável conforme o ambiente aperta.

A publicação saiu em março, no periódico ISME Communications. Para chegar até a arqueia, a equipe usou amostras coletadas há mais de dez anos por Amanda Bendia em expedições do PROANTAR (Programa Antártico Brasileiro). Na etapa de doutorado, Bendia aplicou metagenômica (técnica que sequencia material genético diretamente de comunidades microbianas, sem precisar isolar cada espécie). A partir dos fragmentos obtidos, foi montado o genoma candidato e feita a comparação com bancos de dados.

O que muda na prática

Como essa espécie ainda não foi isolada e cultivada, ela entra como candidata antes do nome proposto, Pyroantarticum pellizari, em homenagem a Vivian Pellizari. Na prática, o caminho começa pelo genoma e pelos sinais moleculares, porque cultivar arqueias em laboratório costuma ser uma etapa difícil.

Mesmo trabalhando com amostras, a logística também pesa. Para manter o material antártico no IO-USP, é preciso lidar com temperaturas elevadas e ausência de oxigênio.

  • O que foi identificado: uma nova arqueia candidata (Pyroantarticum pellizari) associada à ilha Decepción
  • Por que importa: genes indicam proteção molecular contra estresse térmico e ajudam a manter o DNA estável
  • Como foi achado: reconstrução de genomas a partir de amostras com metagenômica
  • Próximo passo: a equipe quer tentar um meio de cultura para isolar a espécie e planeja nova coleta do PROANTAR no fim deste ano

E daí pra mim? Se uma arqueia consegue “se virar” num ambiente com frio, calor e química pesada, isso dá pistas de como outros seres podem sobreviver em condições extremas, inclusive em lugares bem fora do padrão.

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